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Mosquito agora se prolifera tanto em água limpa como suja; temperatura ideal é exatamente a brasileira: entre 24°C e 28°C

Vacina ainda não é realidade, e outras formas de controle populacional ainda não deram resultados satisfatórios. A melhor forma de proteção é cuidar do próprio quintal e eliminar águas paradas
Reprodução internet
Vacina ainda não é realidade, e outras formas de controle populacional ainda não deram resultados satisfatórios. A melhor forma de proteção é cuidar do próprio quintal e eliminar águas paradas


O número assusta: nos últimos cinco anos, foram 3,2 milhões de casos de dengue registrados no Brasil, com cerca de 800 mortes. Isso só levando em conta o que foi documentado. “Isso causa tristeza em quem trata de saúde pública, porque são mortes evitáveis”, explica o infectologista e pediatra Kleber Luz, que participou nesta terça (25) do Painel Multidisciplinar da Dengue.

É evitável porque, embora não haja vacina eficaz e remédio específico para a doença, há prevenção contra a proliferação do mosquito vetor. A forma mais eficiente, ainda, é monitorar a própria casa, verificando se não tem água parada em vasos, baldes, pneus, tampinhas de garrafas, ou outros recipientes.

Com um agravante: nos últimos anos, o mosquito se adaptou às condições sanitárias da cidade e não se reproduz mais apenas em água limpa, como era seu costume. Agora, o mosquito consegue se reproduzir em águas poluídas e esgotos. “São Paulo é mais habitável para o mosquito da dengue do que para nós. Criamos todas as condições para o mosquito viver bem aqui”, comenta o infectologista do Dante Pazzanese, Artur Timerman.

A temperatura considerada ideal para o mosquito se proliferar é entre 24ºC a 28ºC, a média de grande parte do território brasileiro. E sua picada não discrimina por classe social. Em São Paulo, por exemplo, o lugar em que há mais incidência de dengue é no Jardim Ângela, bairro periférico da cidade. O segundo lugar, porém, é o bairro nobre Itaim Bibi.

Em condições favoráveis de umidade relativa do ar, temperatura e precipitação, ele ‘pega o chinelo, chapéu e óculos de sol e sai por aí para picar pessoas’, comenta o infectologista Timerman.

Controle do vírus e vetor

Hoje existem quatro subtipos de dengue circulando no País. Há relatos de um quinto tipo, que ainda não chegou por aqui – e não se sabe se ele é realmente forte. A pessoa que foi infectada por um subtipo, se torna imune. O problema é que restam outros subtipos que podem infectar e causar uma forma mais grave de dengue, já que, em alguns casos, o sistema imunológico se confunde com a presença de um novo vírus e se ‘alia’ a ele, atacando o próprio corpo.

A Sanofi-Pasteur está desenvolvendo uma vacina contra a doença, com estudos já na terceira fase, com um grande número de pessoas testando. No entanto, essa vacina parece não ter atingido o objetivo contra o subtipo 2 do vírus da dengue.

Outras pesquisas procuram inibir a transmissão do vírus pelo aedes aegypti. A bactéria wolbachia, presente em muitos insetos, não é natural para o vetor da dengue. Ao inserir essa bactéria nos ovos do aedes fêmea, os ovos resultantes de um cruzamento com um mosquito macho não vingariam. Essa é uma forma que está sendo estudada para tentar controlar a doença.

Por enquanto, a única forma de combater o vírus é eliminando a reprodução do vetor, ou seja, acabando com a água parada, seja ela limpa ou suja.

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