Tamanho do texto

Para 80% dos entrevistados, médicos vestidos de branco são mais competentes, higiênicos e inspiram mais credibilidade

Apenas 2% dos pacientes acham que médicos com roupa casual ou informal são mais competentes
Thinkstock Photos
Apenas 2% dos pacientes acham que médicos com roupa casual ou informal são mais competentes

A consulta médica está marcada. Ao chegar ao consultório, a pessoa percebe que o médico está usando uma roupa comum para o dia a dia: nada de jaleco ou roupas brancas. Qual é a reação do paciente?

Uma pesquisa desenvolvida na Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto mostrou que a maioria da população não gosta que os médicos alterem o "visual padrão". Ao chegar no consultório, espera-se encontrar um "doutor vestido de doutor", com roupas ou jaleco brancos, cabelo bem penteado, barba feita, sem sinais de piercing. Se for mulher, perdem credibilidade aquelas com cabelos tingidos de cores vibrantes, que usam blusas mostrando a barriga, shorts e maquiagens carregadas.

O estudo, que ouviu 259 pacientes atendidos no hospital, mostrou que, para 80% deles, os médicos vestidos de branco são mais competentes, mais preocupados com os pacientes, mais higiênicos e inspiram mais credibilidade no diagnóstico. Se o médico ou médica estiverem formais, mas não de branco, cerca de 5% dão crédito ao seu trabalho. Agora, se a roupa for casual ou informal, o índice de aprovação desaba: menos de 2% dos entrevistados acreditam que ele pode ser mais competente do que o colega de branco.

No dia a dia

Uma averiguada nos consultórios das grandes cidades mostra, no entanto, que os médicos têm, cada dia mais, deixado o jaleco na gaveta. O psiquiatra Wolf Singal, por exemplo, atende seus pacientes com roupas casuais, como camiseta. “Quando você estabelece uma relação legal com o paciente, isso por si só já desmonta qualquer temor. Nunca tive problemas no consultório”, explica.

E ele não é exceção. Tanto que já há até empresas de olho nesse novo nicho, fabricando roupas de tons nude e "off-white" para as médicas que abdicaram do branco.

Não vai faltar cliente. A estudante de medicina Sarah Vilela, do Centro Universitário Barão de Mauá, de Ribeirão Preto, diz que os professores comentam que já não usam jaleco. “Eu acho que tudo isso é uma questão de costume, ideias da sociedade, regras do tipo ‘tem que ser assim’.”

O advogado Bruno Gardezani concorda esse posicionamento. Para ele, o uniforme é só uma convenção, um estereótipo. “Para mim, o que importa é se o médico demonstra que sabe exatamente o que está fazendo. Há médicos de branco que mal olham para você, prescrevem medicamentos sem qualquer exame, quase como se tivesse medo de tocar no paciente”, critica.

Tradição

Segundo a pesquisa, o hábito de usar jaleco branco surgiu no século 20 em países do hemisfério Norte, tendo como razão a identificação mais fácil pelos colegas de profissão e pelos pacientes, além de proteger as roupas contra secreções que poderiam cair no corpo e da possibilidade de carregar utensílios no bolso. Em pouco tempo, o visual se tornou um costume mundial. 

No Brasil, não há nenhuma regulamentação do Conselho Federal de Medicina (CFM) que obrigue o uso de vestimentas brancas.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.