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Cardiodesfibrilador implantável desempenha o mesmo papel que o desfibrilador externo automático (DEA), presente em locais públicos, e tem poder de reverter uma parada cardíaca

Cardiodesfibrilador implantável é indicado para pessoas com arritmias ventriculares repetitivas
Thinkstock/Getty Images
Cardiodesfibrilador implantável é indicado para pessoas com arritmias ventriculares repetitivas


Foi-se o tempo em que as pessoas que sofriam com arritmias cardíacas tinham apenas uma opção, além dos medicamentos, para contornar o problema: aquele tão conhecido marcapasso foi apenas um início para que a engenharia médica desenvolvesse produtos mais sofisticados e pudesse salvar mais vidas. O cardiodesfibrilador implantável (CDI) é um exemplo, hoje considerado o padrão-ouro em nível de tecnologia, sendo recomendado para pessoas com arritmias ventriculares repetitivas, que podem levar à morte.

O aparelho é uma espécie de marcapasso inteligente que agrupa todos os benefícios daqueles mais antigos, com a vantagem, porém, de fazer o mesmo papel também daquele desfibrilador externo, que a lei prevê que haja em ambientes públicos, como shopping centers, órgãos públicos e outros locais. O mesmo aparelho que já salvou a vida de muitos, como jogadores de futebol, se resume em um aparelho implantado entre a pele e o músculo do peito, que age rapidamente quando o coração para de bater.

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Tipos de marcapassos

“Normalmente quem precisa usar marcapasso são as pessoas mais velhas, a partir dos 70 anos em média”, explica o cardiologista Roberto Costa, diretor da Unidade Cirúrgica de Estimulação Elétrica e Marcapasso do Incor. O médico explica que, na hierarquia dos marcapassos, existem três grupos: o primeiro, mais simples, é o marcapasso de um fio, implantado para controlar os batimentos cardíacos daquelas pessoas que sofrem com batimentos muito lentos.

O segundo, já mais sofisticado, possui dois fios e vai percebendo a necessidade do coração do paciente e estimulando na frequência correta. O terceiro grupo são os chamados de ressincronizadores, que acumulam as funções dos mais antigos e são importantes para organizar os batimentos do coração daquelas pessoas que têm um coração muito doente e grande – que bate de forma descoordenada. E o último em tecnologia é o cardiodesfibrilador, que acumula todas essas funções, com a vantagem também de ressuscitar um paciente.

Tempo de socorro

Um dos grandes problemas quando se fala em parada cardiorrespiratória é o tempo em que uma pessoa leva para ser socorrida. “O atendimento precisa ser nos primeiros minutos e o cardiodesfibrilador consegue interpretar que o coração parou de bater logo no início, dando o mesmo choque que o aparelho externo daria, aquele desfibrilador externo automático (DEA)”, explica Costa.

O tempo de vida do CDI, no entanto, é menor do que o de um marcapasso comum. “O comum dura normalmente de 8 a 12 anos, já o CDI tem vida útil em média de 5 a 8 anos, pois gasta mais energia”, explica Costa.

A cirurgia para a implantação do aparelho é pouco invasiva, já que foi projetada para ser feita em idosos. “Os fios são inseridos por uma veia no ombro e depois levamos até o coração. O aparelho é colocado sob a pele – no caso das pessoas com mais gordura – ou sob o músculo – no caso daquelas que são mais magras”, detalha o cardiologista. E a recuperação costuma ser um sucesso. “A cirurgia dura uma hora – costumo fazer com anestesia geral em vez da local, para que o paciente tenha mais conforto. No dia seguinte normalmente ele já está andando e a dor é facilmente controlada por analgésicos”, conta o médico.

Riscos

O cardiologista do Incor explica que o CDI pode interpretar choques elétricos acidentais do dia a dia como se o coração estivesse fibrilando (“tremendo”) – e precisando de uma descarga elétrica.

“Aqueles aparelhos de fisioterapia, com choques, por exemplo, pode fazer com que o cardiodesfibrilador implantável interprete que o paciente teve uma parada cardíaca e dê um choque para reanimar.”, explica Costa. Não mata, mas dói. “Não é nada legal, o choque é de 700 watts”, explica, ressaltando que a pessoa que tem o CDI recebe orientações do que pode ou não fazer.

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