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Secretário de Saúde do Estado de São Paulo diz que municípios gastam mais do que podem e de forma insustentável

A municipalização foi um grande avanço para o País, só que na saúde aconteceu de uma forma cruel. É o que pensa o secretário de saúde do Estado de São Paulo, David Uip. Para ele, os municípios estão investindo mais do que podem e investem de uma forma inadequada.

Um exemplo desta inadequação, segundo o secretário, são os 28 mil leitos vazios nos hospitais brasileiros. Uip afirma que os leitos vazios ocorrem principalmente nos hospitais de até 50 leitos, de municípios com menos de 20 mil habitantes.

"Está claro que hospitais com menos de 50 leitos são insustentáveis. Os municípios investem 29% de orçamento e investem errado. Acabam gastando com a doença e não nos programas da saúde, nos programas de prevenção", disse o secretário durante abertura do segundo dia do Fórum a saúde do Brasil, promovido pelo jornal Folha de S. Paulo.

O secretário apontou a mudança no orçamento nos últimos anos por conta da municipalização. "Em 2000, a União foi responsável por 58,5%, enquanto Estados e municípios por 20,3% e 21,2%, respectivamente, de todo o investimento brasileiro em saúde. Esta relação mudou em 2012. A União ficou com 46%, estados com 26% e municípios, 28%", disse.

Uip também falou sobre a judicialização da saúde, isto é, a obrigação dos governos de pagar atendimentos e produtos por ordem da justiça. "Essa questão precisa ser discutida. Isso fez com que o Estado de São Paulo gastasse R$ 908 milhões no último ano", disse.

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