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Técnica permite pós-operatório mais rápido e com menor risco de sangramento, mas custo pode chegar a R$ 100 mil

Cirurgia minimamente invasiva proporciona um pós-operatório melhor, além de diminuir o risco de sangramentos durante o procedimento
Thinkstock/Getty Images
Cirurgia minimamente invasiva proporciona um pós-operatório melhor, além de diminuir o risco de sangramentos durante o procedimento

Quem nunca reclamou de dor na coluna? Segundo dados do IBGE, as dores nas costas (lombalgia, hérnia de disco lombar, hérnia de disco cervical e discopatia degenerativa) são a terceira causa de aposentadoria precoce e a segunda em licença ao trabalho. No Brasil já existem mais de 5,2 milhões de portadores de hérnia de disco.

A maior parte desse público consegue amenizar ou eliminar as dores com medicação, prática de exercícios físicos como pilates ou sessões de fisioterapia. Mas um pequeno contingente precisa se submeter a um procedimento cirúrgico.

Até tempos atrás, a única opção era a cirurgia convencional, com corte que chega a 20 centímetros, dependendo do problema, e com pós-operatório delicado. Atualmente, no entanto, já é possível tratar artrodese lombar e hérnia de disco por meio da cirurgia minimamente invasiva, aquela realizada com pequenos cortes ou incisões, através de instrumentos cirúrgicos longos que são introduzidos até o local e acompanhados por câmeras e monitores de vídeo.

Mas isso tudo tem um custo. Enquanto a cirurgia convencional custa de R$ 6 a 8 mil, a feita com a técnica pouco invasiva pode chegar a R$ 100 mil reais, dez vezes mais. Um custo calculado com base no preço do hospital, do fornecedor e dos honorários médicos. Um investimento que precisa ser feito do bolso, já que a maioria dos convênios não autoriza esse tipo de procedimento.

A cirurgia é parecida com aquelas de videolaparoscopia, como as cirurgias de vesícula e extração de pedras do rim. A diferença é que os ‘tubos’ inseridos no paciente são um pouco maiores, porque a instrumentação cirúrgica necessária para o procedimento é também maior, precisando se encaixar dentro dos aparatos.

Alguns riscos e desconfortos da cirurgia convencional podem ser minimizados com esse novo tipo de intervenção, já que a operação não é feita com o paciente de bruços – abrindo os músculos das costas - mas sim com ele deitado de lado ou de costas.

O ortopedista e especialista em cirurgia minimamente invasiva, Juliano Lhamby, explica que, com o paciente deitado de lado, uma incisão pequena – cerca de cinco centímetros – é feita na região entre as costelas, atingindo, portanto, o disco vertebral sem precisar passar pelo canal medular ou nervos – tirando o risco de lesão neurológica e paraplegia.

O risco de fibrose (má cicatrização muscular) e lesão muscular, que costumam causar dores mesmo depois da recuperação completa na cirurgia convencional, também são mínimos. Isso porque os músculos não são cortados, e sim ‘desfiados’, já que eles são fibras que conseguem se regenerar depois, como explica o especialista.

“O tempo que a pessoa permanece no centro cirúrgico é bem menor, a perda de sangue é pouco significativa, a anestesia geral não precisa ser longa, a cicatriz deixada é menor, são menos dias de internação e o paciente normalmente se levanta e pode andar poucas horas depois da cirurgia”, enumera Lhamby.

Cirurgia convencional

A cirurgia convencional já é mais agressiva, pois a abertura deve ser feita nas costas do paciente, com ele deitado de bruços na maca. O corte feito é em torno de 15 a 20 centímetros. Para manter a área livre para que o cirurgião possa operar, são colocados alargadores de metais que mantém a pele e músculos abertos.

No caminho até chegar aos discos da coluna vertebral, para fazer a cirurgia de uma hérnia de disco – que é quando o disco ‘escapa’ da coluna e pinça os nervos da medula – ou uma artrodese lombar – quando o disco já está destruído e precisa ser substituído por uma prótese – é preciso abrir uma grossa camada de músculos que protegem a coluna, e depois passar pelo canal medular e os nervos.

É aí que reina a apreensão da maioria dos pacientes: o medo de ficar paraplégico, já que os instrumentos cirúrgicos precisam passar pelo canal medular, e, se acontecer algum erro, ele pode levar a sérias consequências neurológicas.

O temor não precisa ser grande, afinal a ocorrência desse acidente é rara. Hoje há um equipamento que monitora em tempo real se os nervos estão sendo lesados, ou seja, se alguma coisa acontece, o cirurgião consegue detectar e parar a cirurgia na hora.

O problema maior não é o risco de ficar paraplégico, mas sim a cicatrização errada dos músculos da coluna. Pelo fato de os instrumentos cirúrgicos terem que passar dentro do canal que abriga a medula espinhal, pode acontecer alguma fibrose (cicatrização anormal) dos músculos dali também. Se esse fato acontecer, apesar da cirurgia ter sido um sucesso para o fim em que foi destinada, a pessoa pode voltar a ter dores por conta da cicatrização errada.

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