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Inflamação causada pela obstrução de glândula da pálpebra normalmente é curada em até dez dias e não é contagiosa

O olho arde, incha, dói e a sensação de que algo não deveria estar ali não passa. Em pouco tempo surge um pequeno ponto amarelado na pálpebra e não há mais dúvida: é um terçol. De nome científico hordéolo, ele é a inflamação causada pela obstrução de uma das glândulas (interna ou externa) da pálpebra próximas dos cílios. Diferentemente da conjuntivite, o terçol não é contagioso e tê-lo em um olho não significa que logo surgirá um novo no outro.

Crianças (que levam as mãos aos olhos sem se preocupar em lavá-las antes), adolescentes (por variações hormonais que alteram a produção de gordura) e pessoas com a pele oleosa (a oleosidade pode provocar acúmulo de gordura e bloquear a glândula) são os grupos mais suscetíveis à doença. Mas outros fatores podem levar quaisquer pessoas a sofrer com uma dessas inflamações.

De acordo com Erika Silvino Rodrigues, oftalmologista do Complexo Hospitalar Edmundo Vasconcelos, não existe uma forma de prevenção 100% efetiva contra o terçol, então é bom saber o que fazer e o que não fazer quando ele se aloja em um dos olhos.

Sete dicas dos oftalmologistas para reduzir os riscos de desenvolver terçol:

“O principal é não fazer automedicação e não tentar ‘espremer’ o terçol”, alerta o oftalmologista Renato Souza Vieira, do Instituto Brasileiro de Oftalmologia (IBOL), que prossegue: “Apenas aplique compressas mornas e procure um oftalmologista, que prescreverá medidas de higiene e, se for o caso, antibióticos na forma de pomada ou colírio”. Erika complementa que maquiagem jamais deve ser passada sobre a inflamação.

A cura normalmente leva de sete a dez dias. Em alguns pacientes, os nódulos somem sozinhos, mesmo sem tratamento. Em outros, podem persistir por até duas semanas. “Aí não é descartada a possibilidade do uso de uma medicação como colírio ou pomada de antibiótico com corticoide”, diz Erika.

Medidas caseiras, como encostar uma aliança no terçol, são desaconselhadas pelos oftalmologistas. “Já vi casos de pessoas queimarem a pele ao colocar uma aliança quente sobre o terçol”, conta Vieira. “O ideal é não fazer nada disso, apenas a compressa morna”, insiste ele.

Casos raros

Erika e Vieira são unânimes em afirmar que é muito raro o terçol afetar a visão. “Quando a lesão é muito grande, pode ‘empurrar’ a córnea, causando uma distorção da visão, mas é transitório e some quando o nódulo diminui”, esclarece o médico do IBOL.

Um terçol interno não curado totalmente pode evoluir para um calázio, que se assemelha a um cisto e precisa ser retirado preferencialmente com uma pequena cirurgia. “Ele é mais comum em pacientes com dermatite seborreica, rosácea e outras doenças dermatológicas, mas pode acontecer com qualquer pessoa. Pode-se optar por injetar corticoesteroides diretamente dentro do calázio, mas a cirurgia é um tratamento melhor”, orienta Vieira.

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