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Especialistas afirmam que há relação entre socos repetitivos na cabeça e a maior ocorrência da doença entre os lutadores

A propagação de esportes de contato como o boxe e o MMA pode aumentar os casos de mal de Parkinson . Especialistas afirmam que há uma relação entre o impacto repetitivo de chutes e socos na cabeça com o fato de doenças neurodegenerativas - como mal de Alzheimer, demência do pugilista e mal de Parkinson - serem mais recorrentes e surgirem mais precocemente entre lutadores.

Muhammad Ali leva soco em luta contra Joe Frazier
Reprodução
Muhammad Ali leva soco em luta contra Joe Frazier

Os casos mais notórios são os de Muhammad Ali, um dos maiores pugilistas da história e que atualmente sofre com os tremores característicos do mal de Parkinson, e do brasileiro Maguila, que enfrenta o mal de Alzheimer desde os 52 anos de idade.

Ainda não se sabe exatamente o que causa o mal de Parkinson. Na população em geral, a doença acomete 1% das pessoas com idade igual ou superior a 65 anos. “Não é que o boxe e o MMA provoquem o mal de Parkinson, mas há estudos que mostram uma relação entre o impacto e a maior ocorrência da doença”, explica Alessandra Gorgulho, neurocirurgiã e coordenadora do HCor Neuro.

Eletrodos na cabeça
Alessandra afirma que a cirurgia que implanta eletrodos no cérebro do paciente com Parkinson tem se mostrado mais eficiente que a medicação. Com a ação dos eletrodos, ocorre uma espécie de “reboot” no sistema de neurônios avariados e as conexões entre as células cerebrais são moduladas. A estimulação elétrica cerebral é reversível: quando a estimulação por eletrodos é interrompida, encerram-se os efeitos no cérebro.

“Estudos recentes mostraram que a cirurgia precoce é muito indicada. Ela traz o paciente dez anos de volta ao que era. Embora a cirurgia não tenha efeito protetor, já que outros neurônios podem apresentar problemas, ela devolve qualidade de vida principalmente para pacientes que apresentam rigidez muscular e dificuldade de locomoção”, diz. Para casos mais avançados da doença, a cirurgia não tem resultado satisfatório.

A cirurgia precoce é um dos desafios para os pacientes com mal de Parkinson já que, normalmente leva-se até quatro anos para que o neurologista tenha o diagnóstico preciso da doença. Nos sete anos seguintes da doença, ocorre a chamada fase honeymoon, quando o paciente tem controle quase completo dos sintomas parkinsonianos apenas com medicação e fisioterapia. As limitações começam a surgir geralmente após esse período e os sintomas se tornam mais difíceis de serem controlados. “Porém vimos que é exatamente neste período de honeymoon que obtemos o melhor resultado nas cirurgias”, disse.

Na cirurgia, os eletrodos são inseridos em pontos mais que milimetricamente calculados. Uma máquina no formato de um halo em volta da cabeça do paciente marca exatamente o ponto onde a população de neurônios com dados deverá ser estimulada. Existem hoje mais de cem mil paciente implantados para esse tipo de doença no mundo e, de acordo com Alessandra, o incidência de hemorragias é de apenas 0,5% por eletrodo.

Uma dificuldade apontada por Alessandra para a difusão do procedimento é a falta de centros no País com a tecnologia necessária. “Que eu saiba, tem apenas em São Paulo, Goiânia, Florianópolis e no Rio Grande do Sul”, disse.

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