Tamanho do texto

Estudo analisou 769 pessoas; quem concluiu a faculdade teve sete vezes mais chance de se recuperar completamente

O papel da educação já era conhecido quando se estudou o Alzheimer, em que pessoas com mais anos de estudo tinham menos sintomas do que aquelas com menos tempo de escolaridade
Thinkstock/Getty Images
O papel da educação já era conhecido quando se estudou o Alzheimer, em que pessoas com mais anos de estudo tinham menos sintomas do que aquelas com menos tempo de escolaridade

Pessoas com maior nível educacional podem se recuperar melhor de lesões cerebrais traumáticas. É o que diz um estudo publicado pela revista Neurology, da Academia Americana de Neurologia nesta semana.

O estudo examinou pessoas com lesões cerebrais traumáticas de nível moderado a alto, sendo a maioria delas causadas por quedas ou acidentes automobilísticos. Essas pessoas foram levadas ao pronto socorro logo em seguida do ferimento, e ficaram ali até a reabilitação.

“Depois desse tipo de lesão, alguns ficam inválidos e não conseguem mais voltar ao trabalho, enquanto outros que têm o mesmo tipo de ferimento se recuperam completamente”, conta o autor do estudo, Eric Schneider, PhdD da Escola de Medicina Johns Hopkins. “Nós já conseguimos entender alguns fatores que fazem essa diferença, mas não conseguimos explicar toda a variação. O resultado desse estudo pode ser uma outra peça do quebra-cabeça”.

A explicação seria a teoria da ‘reserva cognitiva’, segundo a qual quanto maior o nível educacional, maior a reserva cognitiva. Em outras palavras, o cérebro tem a habilidade de se manter em funcionamento mesmo quando está lesionado. Esse conceito surgiu quando se estudava o Alzheimer, em que os cientistas perceberam que aqueles que haviam estudado mais tinham menos sintomas da doença, mesmo que a parte do cérebro lesionada fosse igual à daqueles que tinham recebido educação inferior.

O estudo atual envolveu 769 pessoas de ao menos 23 anos de idade que foram acompanhadas pelo menos por um ano depois da lesão. Elas foram agrupadas de acordo com o nível educacional: 24% não haviam terminado o ensino médio norte americano, 51% estudaram por 12 a 15 anos ou terminaram o ensino médio em forma de supletivo e 25% tinham mais de 16 anos de estudo.

Depois de um ano do acidente, 28% das pessoas puderam voltar ao trabalho ou aos estudos. Apenas 10% daqueles que não tinham terminado o ensino médio estavam aptos a voltar às suas atividades, comparado com 31% daqueles que tinham cursado ao menos um pouco do nível superior. Dentre os que tinham um diploma de curso superior, 39% se recuperaram totalmente. 

“Pessoas com educação superior tiveram sete vezes mais chance de se recuperar completamente da lesão do que aquelas que não terminaram o ensino médio”, explica Schneider. “E aquelas que tiveram ao menos um pouco de estudo de nível superior tiveram cinco vezes mais chance de se recuperar comparado àquelas que não tiveram diploma do ensino médio”.

O pesquisador afirma que é necessário se aprofundar mais para entender como é que a educação ajuda a proteger o cérebro e como ela afeta a lesão e a recuperação dela. Ele explica que, entendendo essas relações, ficará mais fácil identificar formas de ajudar os pacientes a se recuperar melhor de lesões traumáticas no cérebro.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.