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Estudo mostrou que jovens que tiveram os ossos quebrados podem ser erroneamente considerados como de baixo risco

Ferramenta usada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para avaliar o risco de fratura óssea subestima os verdadeiros perigos para as pessoas com menos de 65 anos ou que tenham sido tratadas por um único osso quebrado. Foi o que revelou um estudo publicado nesta semana no periódico científico Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, da Sociedade Americana de Endocrinologia.

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"A ferramenta tem sua utilidade por trazer informações importantes, mas não deve ser usada como padrão-ouro único e definitivo para determinar se deve ou não tratar um paciente para a osteoporose ou ossos enfraquecendo. Isto porque o teste não consegue identificar alguns pacientes que se beneficiariam de tratamento para prevenir fraturas futuras", disse um dos autores do estudo, Gilles Boire, da Universidade de Sherbrooke, em Quebec, no Canadá.

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A ferramenta de avaliação de risco de fratura (FRAX, da sigla em inglês) foi desenvolvida pela OMS como uma forma de determinar a probabilidade de adultos entre 40 e 90 anos quebrarem um osso. Ela avalia as chances de um indivíduo quebrar um osso em uma queda menor, situação conhecida entre especialistas como fratura por fragilidade. Essas fraturas podem reduzir a mobilidade, reduzir a autonomia e até mesmo aumentar o risco de morte.

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Desta forma, a ferramenta auxiliria médicos a identificar casos de osteoporose que não podem ser facilmente diagnosticados por meio de testes de densidade mineral óssea. Mais da metade das fraturas por fragilidade ocorrem em pessoas que não atendem aos padrões de densidade mineral óssea a ser diagnosticadas com osteoporose.

No entanto, o estudo realizado no Canadá, alerta que a calculadora de risco é propensa a subestimar a probabilidade de futuros ossos quebrados em jovens pacientes, homens e pessoas que apresentam sua primeira fratura fragilidade.

O estudo utilizou a ferramenta para avaliar o risco de fratura entre os 1.399 pacientes que foram identificados com uma fratura por fragilidade entre junho de 2007 e maio de 2012. Em mais da metade dos pacientes tratados para uma fratura por fragilidade, a pontuação no FRAX não atingir o limiar para o tratamento preventivo.

Antes da fratura por fragilidade, apenas 42,7 % destes pacientes foram considerados de alto risco, de acordo com a ferramenta. Mesmo depois de sofrer uma fratura, 24% dos pacientes permaneceram classificados como de baixo risco e quase 20% foram considerados de risco moderado. Durante o período de quatro anos em que foram acompanhados, mais de um terço dos pacientes que tiveram fraturas recorrentes não foram classificados como de alto risco sob o cálculo da ferramenta.

"A identificação individual de pacientes de alto risco para fraturas permitiria uma prevenção mais oportuna e orientada", disse Boire. "Os médicos devem sempre considerar se o tratamento da osteoporose beneficiaria um paciente com uma fratura por fragilidade, independentemente da sua pontuação no FRAX ".

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