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Estudo mostra que entre 80% e 95% dos filmes contemporâneos retratam a bebida álcoolica de forma positiva

A glamurização do consumo de álcool e o retrato positivo da bebida mostrada nos filmes pode estar encorajando os jovens a beber mais. É o que defende um novo estudo que analisou as consequências de cenas positivas de consumo de álcool. Segundo os pesquisadores, o efeito James Bond, ou “Santory time” (De encontros e desencontro), apenas como exemplos, podem contribuir para o envolvimento emocional dos espectadores não só com o filme mas também com a bebida.

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No estudo, 159 universitários, sendo 84 homens e 75 mulheres, entre 18 e 30 anos, assistiram a oito clipes de diferentes filmes que continham retratos positivos e negativos de álcool. Em alguns clipes o álcool não foi retratado. Os pesquisadores puderam então medir e comparar em quais clipes os espectadores se identificavam mais.

“ Notamos que a maneira em que o álcool é retratado nos filmes contribui na forma como as pessoas avaliam e se envolvem com eles", disse Renske Koordeman, da Universidade Radboud (Holanda), e um dos autores do estudo publicado no periódico científico Alcoholism: Clinical & Experimental Research.

Os resultados mostraram que os participantes do estudo se envolveram mais com os filmes cujos clipes mostravam uma atitude positiva nas cenas que retratavam álcool em comparação com os mesmos clipes que mostravam cenas negativas ou não amostravam cenas com bebidas. De acordo com Marloes Kleinjan, professora de Psicopatologia do desenvolvimento na mesma universidade, entre 80 e 95% dos filmes contemporâneos retratam a bebida alcoólica de forma positiva.

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Os cientistas afirmam que, na maior parte das vezes, os espectadores não se dão conta da forma como o álcool é retratado nos filmes. “O modo como a bebida aparece nos filmes é muito mais sutil que nas propagandas. Estou falando quando uma empresa paga cineastas para retratar sua marca em um filme. Estratégias para incorporar anúncios em um contexto de filme com atores atraentes podem ser ainda mais poderosas do que estratégias de publicidade geral. Isto porque a mensagem não é percebida como publicidade. Além disso, as pessoas são provavelmente mais envolvidas em um filme do que em um intervalo comercial, que muitas vezes é usado para fazer outra coisa”, disse Koordeman.

Mas não são só os filmes que influenciam a alta do consumo. Kleinjan defende que as redes sociais também influenciam a ingestão de álcool. “A exposição de álcool nos meios de comunicação – incluindo filmes e anúncios na mídia digital, como o Facebook – pode incentivar os jovens a beber mais. Desde que os personagens do filme sejam considerados como modelos a seguir pelos jovens, a maneira em que esses personagens retratam o uso de álcool em um filme pode ter um impacto sobre as crenças e atitudes em relação ao consumo de álcool “, disse Marloes Kleinjan.

Kleinjan acrescentou que pesquisas mostraram a existência de relação entre a exposição de tabaco e álcool em filmes e o consumo real. "No entanto, restrições mais fortes foram colocadas apenas sobre a comercialização do tabaco e a exibição pública de imagens de cigarro" disse. "Levando em conta as consequências do consumo excessivo de álcool na saúde pode-se considerar a criação de condições similares ao tabaco. Outra opção possível é a transmissão de filmes que retratam o uso de álcool após o horário nobre", completou.

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