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Estridentes ou não, ruídos dos jogos podem causar trauma auditivo; protetor auricular é a melhor forma de prevenção

Protetor de ouvido é importante quando se está em um ambiente barulhento
© AP
Protetor de ouvido é importante quando se está em um ambiente barulhento

Faltam pouco mais de 48 horas para o início da Copa do Mundo. No primeiro jogo do Brasil, fogos de artifícios atingirão os ares, vuvuzelas vão soar, cornetas estridentes deixarão muita gente sem fôlego – e muita gente surda também.

Não é exagero. De acordo com a intensidade e proximidade do som, é possível que o torcedor – ou até mesmo quem não tem nada com isso – tenha perda auditiva significante, podendo chegar à surdez.

“O barulho que acontece nos jogos faz mal sim, inclusive tive uma paciente que fez uma cirurgia para reconstruir a audição – ela havia perdido por razões genéticas -, e foi para um jogo da Copa de 2010. Ela teve um trauma acústico e perdeu a cirurgia”, alerta Andy Vicente, otorrinolaringologista do Hospital CEMA, de São Paulo.

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Ao contrário do que muita gente pensa, não é apenas o som agudo que pode causar danos aos ouvidos. Por mais estridente que seja um som agudo, se o grave estiver mais intenso, ele pode lesar mais. “85 decibéis já é traumático para o ouvido [secador de cabelo tem 90]. Se for acima de 100 decibéis, aí realmente pode causar um trauma”, explica o médico.

Se proteger, no entanto, não é difícil. Os protetores auriculares fazem isso com maestria.

“Tem pessoa que tem ouvido mais sensível que outra. Se ela já tem labirintite ou zumbido, é necessário usar protetor auricular”, explica o médico. “Milhões de pessoas saem ilesas, mas outras têm problemas. Se fogos de artifício estourarem do lado do paciente, pode causar lesões por conta do impacto sonoro”.

O trauma sonoro pode doer ou não, mas há sinais claros de que o ouvido foi lesionado. “Quem sofreu a lesão vai sentir uma sensação de ouvido tampado, zumbido, tontura ou perda auditiva. O mais comum é o zumbido, sons como de uma cigarra ou apito”, explica Vicente.

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A partir do primeiro sintoma, é corrida contra o tempo. “A pessoa precisa correr para um médico otorrinolaringologista o mais rápido possível para constatar se houve lesão e tomar a medicação adequada para o trauma. Alguns medicamentos anti-inflamatórios podem ser receitados, medicamentos que ativam a circulação do ouvido e medicamentos antioxidantes. Se agir de forma rápida, pode ser que o trauma seja revertido”, recomenda o otorrinolaringologista. Reverter o trauma significa voltar a ouvir como antes e não precisar de aparelhos auditivos ou cirurgia depois.

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