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Especialista afirma que derrota desencadeia processo de luto parecido com o sentido após a perda de um ente querido

Torcedora se desespera ante o vexame brasileiro na semifinal da Copa ontem no Mineirão
Bruno Magalhaes/AP
Torcedora se desespera ante o vexame brasileiro na semifinal da Copa ontem no Mineirão

Quem aguenta uma goleada como a que sofremos ontem? Quando a bola entrou no gol brasileiro aos 11 minutos do primeiro tempo, foi apenas uma tristezinha passageira. Todos acreditávamos que em instantes reverteríamos a desvatagem. A ilusão durou pouco. Ao fim do primeiro tempo, após os alemães marcarem mais quatro em sete minutos, o estrago estava feito.

Nas arquibancadas, a torcida chorava. Uma parte decidiu deixar o Mineirão já no intervalo. Em casa ou no boteco, o clima era o mesmo. No segundo tempo, como se sabe, o vexame ficou pior e a partida terminou em 7 x 1.

E agora? E agora que não dá para fingir que já passou e hoje é um outro dia. Não é. Segundo os especialistas, uma derrota - principalmente como a que sofremos - inaugura um sentimento de tristeza coletiva, de luto mesmo, parecido com o sentido após a perda de um ente querido. 

E nã é exagero, afirma o professor do curso de psicologia da Unesp de Assis, Claudio Reis. Para ele a amplitude dada para a perda de um campeonato é explicada pela dimensão que é dada ao futebol. “Ele serve como uma autoafirmação do Brasil, como uma identidade nacional.”

Derrota gera sentimento de tristeza coletiva que deve assumida, vivenciada e superada
Eddie Keogh/Reuters
Derrota gera sentimento de tristeza coletiva que deve assumida, vivenciada e superada

A duração do luto vai depender do envolvimento e da expectativa que cada um tinha em relação à seleção, mas invariavelmente é um sentimento que deve ser notado em todo o País. A partir de agora, os brasileiros devem passar por todas as fases do luto. Pouco a pouco presenciaremos etapas como negação, raiva, busca de culpados, depressão e, por fim, a aceitação.

Reis explica que depois da descrença e da raiva, mesmo que expressada minimamente por um grito pelas janelas, a população vai buscar os culpados. "Mesmo porque, ao contrário de países como o Chile e a Colômbia, que receberam os jogadores como heróis após serem eliminados da Copa, nós não temos a cultura do vice e do terceiro lugar no futebol. Isso não nos interessa”, diz.

O psicólogo afirma que o luto com a eliminação na Copa precisa ser assumido, trabalhado e vivenciado.  Somente após esse período a derrota será assimilida. “Com o tempo, a pessoa passa a pesar questões como treinador, mazelas da seleção e a própria saída do Neymar. Depois disso começa o processo de aceitação e da decisão de voltar para a velha e boa rotina”. Uma rotina com o fantasma da má recordação.

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