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Médico e missionária teriam recebido ainda na Libéria droga que até hoje só havia sido testada em macacos; ambos apresentaram melhoras e puderam voltar para os EUA

A missionária Nancy Writebol e o médico Kent Brantly, que está ao lado de sua mulher, Amber
Samaritan's Purse/AP E Courtesy Jeremy Writebol/AP
A missionária Nancy Writebol e o médico Kent Brantly, que está ao lado de sua mulher, Amber

Um médico e uma missionária americanos que foram infectados com o vírus do Ebola na Libéria parecem ter se beneficiado de uma droga experimental chamada ZMapp, segundo informações da CNN .

A droga, um anticorpo monoclonal que está sendo desenvolvida pela Mapp Biopharmaceutical, ainda está em fase pré-clínica, foi testada em macacos, e, pela primeira vez foi administrada em humanos após a autorização escrita dos dois infectados.

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Os efeitos colaterais da droga em humanos ainda não são conhecidos, mas os resultados em Brantly, de 33 anos e em Nancy, de 59, foram muito positivos. Segundo a rede americana, uma hora depois de Brantly tomar a medicação, ele já apresentava melhoras. Na manhã seguinte, ele conseguiu até mesmo tomar banho sozinho. Nancy Writebol precisou de duas doses até apresentar melhoras, ela voltou para os EUA dois dias depois de Brantly. 

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"Há uma semana estávamos pensando em fazer arranjos fúnebres para Nancy," disse a David Writebol, marido da missionária  em um comunicado. "Agora temos um motivo verdadeiro para termos esperança."

Brantly e Nancy  foram infectados apesar de tomar precauções como trataram pacientes de Ebola na África Ocidental, onde o vírus se rapidamente, matando cerca de 900 pessoas até agora. O vírus mata em 90% dos casos.

Medicamento ainda precisa de estudos clínicos

Apesar das melhoras surpreendentes, é impossível saber se a droga salvou o médico e a missionária, enfatizou Tom Frieden, diretor dos Centros de Prevenção e Controle de Doenças dos EUA . "Todo medicamento tem riscos e benefícios", disse a repórteres. "Até fazermos um estudo clínico, não sabemos se isso ajuda, se dói, ou se não faz qualquer diferença."

É importante saber que, mesmo com o benefício que o ZMapp fez para os norte-americanos, o risco que o médico e a missionária correram também foi alto.

No intuito de disponibilizar um medicamento seguro para o uso, é preciso que o remédio passe por todas as fases de testes clínicos. O ZMapp, por exemplo, ainda está na fase pré-clínica. Quando superada, entrará no rol de testes em humanos, que compreende quatro fases.

A primeira delas avalia a segurança do medicamento em humanos saudáveis, como a monitoração do tempo de ação do medicamento no organismo, assim como a forma em que ele é absorvido e excretado. 

Com o sucesso dessa fase, é preciso testar em algumas pessoas que estão doentes. Quando verifica-se que o medicamento é útil para tratar uma determinada enfermidade, faz-se um estudo com um maior número de pessoas para comprovar a eficácia. Depois disso, o medicamento é submetido às agências reguladoras (no Brasil, a Anvisa) e, depois de aprovado, está livre para a comercialização.

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