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Primeira análise dos efeitos globais mostra que mais de 1,6 milhão das mortes por doença cardiovascular a cada ano no mundo podem ser atribuídas ao excesso do consumo de sódio

Sal em excesso mata. De acordo com novo estudo, que analisou o consumo de sódio na população de 187 países, mais de 1,6 milhão das mortes por doença cardiovascular a cada ano no mundo podem ser atribuídas ao excesso do consumo de sódio. No Brasil, conforme dados do levantamento, a média diária por pessoa é de 4,2 gramas, maior que a média mundial de 3,9 gramas e mais que o dobro dos 2 gramas por dia recomendados pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

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O estudo, o primeiro a analisar os efeitos globais da ingestão de sódio em doenças cardiovasculares, mostra que o problema acontece em todas as regiões do mundo. As mortes representam um em cada 10 mortes por doenças cardiovasculares por ano em todo o mundo. Os países mais pobres e em desenvolvimento são os que sofrem: 84% das mortes ocorrem em países de baixa e média renda.

A alta ingestão de sódio já é conhecida como fator para o aumento da pressão arterial, um risco para a ocorrência de doenças cardiovasculares, incluindo doença cardíaca e derrame. No entanto, os efeitos da ingestão de sódio em excesso em doenças cardiovasculares globalmente por idade, sexo e nação não tinham sido bem estabelecidos.

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"Os resultados mostram a necessidade de fortes políticas para a redução do consumo do sódio. Estas mortes representam quase um em cada dez de todas as mortes por causas cardiovasculares. Nenhuma região do mundo foi poupada, apenas alguns países”, disse Dariush Mozaffarian da Universidade de Tufts, nos Estados Unidos.

É preciso ter em mente, que para reduzir a ingestão de sódio, não adianta apenas diminuir a quantidade de sal na comida, mas principalmente reduzir o sódio presente em alimentos processados na forma de aditivos como cliclamato de sódio e sacarina sódica, ou conservantes como o benzoato de sódio, nitrato e nitrito de sódio, ou ainda como os realçadores de sabor glutamato monossódico.

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O Brasil está acima da média dos Estados Unidos (3,2g) e da América Latina (3,6 g). Um acordo entre ao Ministério da Saúde e a Associação das Indústrias da Alimentação (Abia), divulgado nesta terça-feira (12) prevê queda de 1,8 mil toneladas de sódio em alimentos industrializados até o final de 2014, na produção.

Média mundial pode ser ainda pior
Os autores do estudo afirmam que os resultados com base em amostras de urina podem subestimar a ingestão de sódio. Por conta disso, o número de mortes relacionadas com o excesso de sódio poderia ser ainda maior. Além disso, alguns países não tinham dados sobre o consumo de sódio, que foi estimado com base em outras informações nutricionais.

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Os pesquisadores ressaltam que o estudo foi centrado nas mortes por doença cardiovascular e, portanto, não refletem o impacto na saúde como um todo. O excesso de sódio também está ligado ao maior risco de doenças cardiovasculares não fatais, problemas nos rins e câncer no, o segundo câncer mais mortal em todo o mundo.

Cálculo
Os pesquisadores analisaram os dados existentes em 205 relatórios sobre a ingestão de sódio em países que representam quase três quartos da população mundial adulta. Os índices foram comparados com outros dados sobre nutrição global, para calcular a ingestão de sódio em todo o mundo, país, idade e sexo.

Os efeitos de sódio sobre a pressão arterial e da pressão arterial em doenças cardiovasculares foram determinados separadamente em nova análise dos dados, incluindo diferenças de idade e raça. Estes resultados foram combinados com as taxas atuais de doenças cardiovasculares em todo o mundo para estimar o número de mortes cardiovasculares atribuíveis ao consumo de sódio acima de 2,0 g por dia.

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