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Número de mortos chegou a 1.350 e ONG de médicos afirma que chegou em seu limite de pessoal e financeiro para atuação

Reuters

Paciente chega de maca à uma das unidades dos Médicos Sem Fronteiras
Sylvain Cherkaoui/Cosmos/MSF
Paciente chega de maca à uma das unidades dos Médicos Sem Fronteiras

A Organização Mundial da Saúde (OMS) disse nesta sexta-feira (23) que elaborou um plano estratégico para combater o Ebola na África Ocidental para os próximos seis a nove meses, indicando que não prevê conter a epidemia este ano.

"A OMS está trabalhando em um plano de ação para o Ebola, é de fato um documento operacional sobre como combater o Ebola", disse a porta-voz da OMS, Fadela Chaib, em um contato com a imprensa em Genebra. "[O plano] estabelece a estratégia para a OMS e parceiros pelos próximos seis a nove meses."

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Quando lhe perguntaram se esse cronograma significa que a agência de saúde da Organização das Nações Unidas prevê que a epidemia – que  afeta a Guiné, Libéria e Serra Leoa – continuará até 2015, ela disse: "Francamente ninguém sabe quando esse surto de Ebola vai terminar."

Sem limites

No início desta semana, o número de mortes pela doença havia chegado em 1.350. Ontem, em entrevista aos jornalistas, a diretora-geral do Médicos sem Fronteiras (MSF) no Brasil, Susana de Deus, afirmou que a organização está perto do limite tanto de pessoal como de recursos para atuar no combate ao surto de ebola na África. “Chegamos a nosso limite. O MSF tem mais de mil pessoas em campo, e não temos como realocar profissionais de outros surtos que continuam a acontecer como pena de sacrificarmos outros pacientes", disse ela, em encontro com jornalistas.

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Só de investimento financeiro, completou Susana, a ONG também está prestes ao esgotamento. "Na MSF, de março até dezembro, o orçamento é de 16 milhões de euros só para ebola. Não esgotou, mas no caminho que estamos, vamos esgotar sim”, avisou.

O Canadá anunciou na terça-feira (12) que vai doar à OMS até mil doses de um medicamento experimental contra o ebola para a sua utilização nos países africanos mais afetados pela doença. O número é insuficiente para atender a todos os infectados e o surto não deixa de se espalhar.

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Nesta sexta, o governo da Nigéria registou mais dois casos de ebola, elevando para 14 o total de casos confirmados de infecção pelo vírus, que já provocou cinco mortes no país. A Nigéria é o quarto país afetado.



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