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As instituições apresentam atualmente um déficit de R$ 15 bilhões, que pode chegar a R$ 17 bilhões até o fim do ano

Sem recursos, Santa Casa de São Paulo interrompeu atendimento por um dia, em julho
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Sem recursos, Santa Casa de São Paulo interrompeu atendimento por um dia, em julho

Representantes de santas casas e hospitais filantrópicos entregaram nesta quinta-feira (21), no Palácio do Planalto, um ofício a ser encaminhado à presidenta Dilma Rousseff, com reivindicações que passam, principalmente, pelo financiamento do Sistema Único de Saúde (SUS). Centenas de pessoas estão desde quarta (20) em Brasília para o congresso nacional do setor. De acordo com a organização do encontro, 400 manifestantes participaram do protesto, no início da noite, em frente ao palácio; segundo a Polícia Militar, foram 120.

As pautas prioritárias incluem a ampliação do custeio com atendimentos hospitalares, destinação de recursos para o pagamento integral das bolsas de residência médica, criação de linhas de financiamento e solução para as dívidas do setor, com base nas políticas destinadas ao setor agrícola. “Nós atendemos mais de 50% das internações ambulatoriais e mais de 70% na alta complexidade. Se nós somos importantes, o governo tem que olhar a gente como sendo importante para eles e dar aquilo que queremos, que é o financiamento”, cobrou o presidente da Confederação das Santas Casas de Misericórdia, Hospitais e Entidades Filantrópicas (CMB), Edson Rogatti.

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Ele disse que as instituições apresentam atualmente um déficit de R$ 15 bilhões, que pode chegar a R$ 17 bilhões até o fim do ano. “Precisamos imediatamente, para que não fechem mais santas casas, de R$ 3 bilhões para dar uma melhorada e continuar discutindo com o ministério”, disse, referindo-se à pasta da Saúde. Segundo Rogatti, o governo precisa dar mais atenção ao setor no Orçamento do próximo ano.

O documento apresentado pelos gestores apresenta estudo sobre três santas casas, consideradas modelos de gestão, que estão sofrendo prejuízos com a falta de investimentos. Segundo a CMB, o déficit médio apresentado é 40% dos resultados econômicos das instituições. O mesmo ofício foi entregue na noite de ontem ao ministro da Saúde, Arthur Chioro. De acordo com a assessoria de comunicação da pasta, o ministro estuda outra forma de transferência dos recursos para as santas casas, que não se restrinja ao pagamento feito pela tabela do SUS, a ser apresentada até o fim do ano.

Antes de protestarem na Praça dos Três Poderes, os participantes do congresso pararam em frente ao Palácio do Planalto por cerca de 20 minutos, com velas acesas e cartazes com mensagens que clamam por custeio. Como a presidenta não estava em Brasília, uma comissão dos manifestantes foi recebida por representante da Secretaria de Relações Institucionais, que vai continuar dialogando com o setor em busca de solução para as demandas. O 24º Congresso Nacional das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos se encerra na manhã desta sexta-feira (22), no Hotel Nacional.

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