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Pesquisas ainda em andamento nos Estados Unidos mostram que desativação do mecanismo de rejeição é promessa para problemas de compatibilidade

Alto custo da pesquisa é uma das barreiras do avanço da técnica
Thinkstock/Getty Images
Alto custo da pesquisa é uma das barreiras do avanço da técnica

As novidades sobre o uso células tronco são cada vez mais frequentes no mundo científico. No momento, uma das pesquisas mais promissoras, segundo o imunologista e diretor-superintendente do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein, Luís Vicente Rizzo, está em andamento nos Estados Unidos e pode ser uma esperança na hora dos transplantes de órgãos. O estudo foca na inativação do mecanismo de rejeição do corpo humano a um órgão externo. Em tese, será possível produzir células que não sejam rejeitáveis, independentemente da compatibilidade entre doador e receptor.

O estudo investiga as células IPS, que são um tipo de célula-tronco pluripotente induzida. Elas são modificadas in vitro para serem transformadas em qualquer tipo de tecido. A vantagem dessas células é que em tese ela é tirada do próprio organismo, manipulada em laboratório e depois reinserida.

Nas pesquisas passadas, as IPS, quando injetadas em um ser vivo para que pudessem se transformar em um tecido, resultavam em uma rejeição. Mesmo sendo células do próprio ser vivo, quando manipuladas, o organismo as recusava.

A novidade é que os cientistas conseguiram desativar esse mecanismo de rejeição, e essa mesma proposta pode vir a ser, um dia, uma esperança para transplante de órgãos, uma vez que um dos maiores problemas enfrentados é exatamente a recusa do organismo ao novo órgão.

“Poder transplantar qualquer célula é o sonho de todo mundo, porque aí não precisaria de compatibilidade”, explica o imunologista. Qualquer pessoa poderia receber qualquer órgão, sem preocupação.

O problema é que essa técnica está funcionando muito bem apenas em camundongos, mas ainda não chegou a ser testada em humanos, diz Rizzo. Como tudo no campo de pesquisa, os estudos exigem tempo, muitos pacientes e um montante assustador de dinheiro. A parte financeira, inclusive, é o maior dos entraves.

“É muito caro conseguir criar células-tronco em 10 mil pessoas para dizer que [a técnica] está realmente funcionando”, explica o médico.

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