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Ele teria fornecido informações falsas ao deixar o país, como ter afirmado que não teve contato com vítimas do vírus

Reuters

A Libéria pode processar um cidadão que viajou para os Estados Unidos e foi diagnosticado com Ebola por ter colocado informações falsas em seus documentos de viagem, disse a autoridade aeroportuária do país do oeste africano nesta quinta-feira.

Binyah Kesselly afirmou que o paciente liberiano, Thomas Eric Duncan, respondeu um questionário ao deixar o aeroporto de Monróvia dizendo que não teve contato com qualquer vítima do Ebola e que não teve nenhum sintoma da doença.

"Perguntei para a ministra da Justiça se podemos processar as pessoas que forneceram informações falsas em documentos, uma atitude em que você deixa, intencionalmente e ciente do que está fazendo, a vida de outras pessoas em risco... Ela acredita que podemos", disse Kesselly.

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"Esperamos que ele tenha uma recuperação rápida. Aguardamos a sua chegada na Libéria: estamos abertos a processar. Dar uma informação falsa, sabendo disso, não é brincadeira", acrescentou Kesselly.

O governo da Libéria disse que Duncan não declarou que ajudou a sua vizinha Marthalene Williams depois que ela ficou em estado crítico no dia 15 de setembro. Duncan tentou encontrar um carro para levá-la ao hospital, mas não conseguiu.

"Ele a levou em um carrinho de mão e procurou ajuda de um amigo, ligando no seu escritório pedindo ajuda para levar a sua vizinha até uma unidade de saúde", disse o ministro das Comunicações Lewis Brown em conferência de imprensa. "Mas agora sabemos que ela faleceu no carrinho de mão enquanto era levada para a unidade de saúde."

Duncan ficou doente apenas alguns dias após chegar aos Estados Unidos e procurou tratamento no Hospital Presbiteriano do Texas na semana passada, mas foi dispensado, mesmo depois de ter avisado a enfermeira que tinha chegado recentemente da África Ocidental.

No domingo, ele precisou de uma ambulância para retornar ao mesmo hospital, no qual ele foi admitido e testou positivo para o Ebola.

A presidente da Libéria, Ellen Johnson Sirleaf, disse em entrevista para a Canadian Broadcasting Corp. na quinta-feira, que ela estava irritada com Duncan pelo que fez, especialmente ao ver o quanto os Estados Unidos vêm fazendo para ajudar a combater a crise.

"O fato de que ele sabia (que poderia ser uma vítima do vírus) e que deixou o país é imperdoável, falando francamente."

Sirleaf disse que quer que Duncan seja deportado para Libéria depois de ser tratado e que "nós teremos que lidar com ele", sem dar nenhum detalhe.

Ele foi o segundo cidadão da Libéria a levar o Ebola a outro país por viagens aéreas depois que Patrick Sawyer levou o vírus para a Nigéria em julho. Oito pessoas morreram no surto da doença na nação mais populosa da África.

Contudo, Kesselly disse que enquanto Sawyer já vinha mostrando sintomas do Ebola quando deixou a Libéria -- e, portanto, sabia que estava colocando outros passageiros em risco -- Duncan não tinha nenhum sintoma quando embarcou.

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