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Mais estável, o novo medicamento reduz as variações que levam à hipoglicemia, condição grave que pode ser fatal

Maior risco da aplicação da insulina é quando ela
Thinkstock/Getty Images
Maior risco da aplicação da insulina é quando ela "trabalha demais" e retira muita glicose do sangue, resultando na hipoglicemia

Uma nova insulina basal com ação ultra longa lançada recentemente pode ajudar os cerca de 11 milhões de brasileiros que sofrem de diabates tipo 1 e 2. Com ação por até 42 horas, o medicamento permite um tempo maior entre uma aplicação e outra bem com maior controle da hipoglicemia. A droga, no entanto, não substitui a insulina de rápida ação, necessária nas refeições.

O maior trunfo da nova insulina é afastar o que os médicos e pacientes mais temem: a queda de açúcar do sangue – condição gravíssima que leva ao coma e, se não for tratada em tempo hábil, à morte. A grande variação do controle de açúcar no sangue é exatamente o grande limitador das insulinas atuais. 

“Antigamente havia uma insulina de ação longa, de 36 horas, mas a variabilidade dela entre hiperglicemia (excesso de açúcar) e hipoglicemia era muito alta, o que fez com que ela deixasse de ser usada”, explica endocrinologista Antônio Roberto Chacra, da Unifesp. 

Esta nova insulina, no entanto, se provou melhor nessa variabilidade nos estudos clínicos conduzidos pela farmacêutica responsável, a Novo Nordisk. Já aprovada na Europa e no Japão, ela começou a ser comercializada recentemente aqui no Brasil e os preços são similares às outras insulinas disponíveis no mercado.

Apesar da eficácia, o medicamento não está aprovado para distribuição no SUS e o médico acredita que o processo de disponibilização ainda vá levar algum tempo. 

Veja sintomas do diabetes:

Tipos de diabetes:

Existem dois tipos de diabetes. Quem sofre do tipo 1 – que surge comumente até os 30 anos de idade – não produz insulina no organismo, já que o próprio sistema imune do corpo ataca as células beta do pâncreas que produzem o hormônio que, por sua vez, é responsável por retirar a glicose do sangue e metabolizar. 

Já o paciente do tipo 2 ainda tem uma produção de insulina, porém é ínfima. Por muitas vezes, a doença é controlada apenas com remédios que melhoram a pouca produção de insulina do próprio corpo, bem como aumenta a sensibilidade do organismo a esse hormônio. No entanto, algumas vezes os remédios não são suficientes, e começa a aplicação de insulina.

Surgimento tardio

No caso do aparecimento do diabetes tipo 1, que surge na infância e adolescência, há exceções, como o da cantora Paula Toller, do Kid Abelha, em que o início da doença se deu aos 47 anos de idade.

“Sentia muita sede, mas achava que era por causa do verão de 40ºC. Estava bem magra, mas estava adorando. Sentia muito cansaço, mas achava que era porque estava malhando muito”, contou Paula.

Foi a dermatologista de Paula quem desconfiou que havia algo de errado com a cantora, por causa de sua magreza excessiva. Quando fez o exame, a glicemia estava em 340, sendo que o normal é até 100. “Hoje vivo uma vida ‘quase normal’”, brinca a vocalista do Kid Abelha. Ela monitora a glicemia quando acorda, antes do almoço, três horas depois da refeição, antes do jantar, dos shows, além de contar carboidratos.

Ela conta que hoje, por causa do diabetes, vive uma vida mais saudável, com horário regrado para se alimentar, além de comer comidas saudáveis. “Como de tudo, mas em quantidades menores”, explica.

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