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Estados Unidos e a Grã-Bretanha anunciaram que vão começar a testar passageiros que chegam de Serra Leoa, Libéria e Guiné

A confirmação de casos de ebola na Espanha e nos Estados Unidos e a primeira suspeita de contágio no Brasil aumentaram a expectativa sobre a realização de testes em aeroportos para tentar evitar que o vírus se espalhe.

Os Estados Unidos e a Grã-Bretanha anunciaram nesta semana que vão começar a testar passageiros que chegam de Serra Leoa, Libéria e Guiné, os três países mais afetados pela epidemia.

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Antes, a Grã-Bretanha havia dito que a ação era desnecessária. Mas, na noite de quinta-feira, as autoridades britânicas anunciaram a medida, dizendo que a triagem irá oferecer um nível adicional de proteção para o Reino Unido.

Nos Estados Unidos, a primeira cidade a introduzir os testes nos aeroportos será Nova York; os testes começam neste sábado. Nos outros locais, são esperados para a próxima semana.

No Brasil, onde o primeiro caso suspeito de ebola foi anunciado nesta quinta-feira, em Cascavel, no interior do Paraná, ainda não foram anunciadas medidas de controle nos aeroportos.

Especialistas dizem que os testes não detectam pessoas infectadas que ainda não desenvolveram os principais sintomas, como febre alta. A incubação do vírus dura de 2 a 21 dias - em teoria, um paciente pode ser infectado e só sentir febre 20 dias depois.

Mas até onde esses testes podem ajudar a conter a doença? Veja abaixo perguntas e respostas sobre o tema.

Como são os testes?

Os testes envolvem a medição da temperatura das pessoas para saber se eles têm febre. Este é um dos principais sintomas do ebola, mas também de muitas outras infecções.

As pessoas que passarem pela triagem também podem ter que responder a perguntas para avaliar o seu risco, incluindo:

- Para quais países você já viajou e quais são seus planos daqui para frente?

- Você esteve perto de alguém doente recentemente?

- Você esteve próximo ou cuidou de alguém que teve ebola confirmado?

- Você está com febre ou dor de cabeça?

- Você está vomitando ou está se sentindo mal?

- Você trabalha na área da saúde?

Na Grã-Bretanha, o governo diz que algumas pessoas vão passar por avaliação de uma equipe médica - os detalhes não foram divulgados. Os viajantes também receberão conselhos sobre o que fazer se se sentirem mal depois.

Nos EUA, a triagem será feita em aeroportos de Nova York, Nova Jersey, Washington, Chicago e Atlanta.

Em Londres, serão testados passageiros que desembarcarem nos aeroportos de Heathrow e Gatwick, e que cheguem ao país de trem pelo Eurostar, vindo da França.

Quais testes já estão sendo feitos?

A OMS recomenda que as pessoas passem por avaliações ao sair dos países atingidos pelo ebola. 

Os viajantes que embarcam nos três países mais afetados - Guiné, Serra Leoa e Libéria - têm suas temperaturas medidas e precisam responder a uma série de perguntas para avaliar o risco de estarem infectados.

Passageiros com suspeita de estarem contaminados não são autorizados a embarcar.

Existe um exame de sangue rápido para diagnosticar o vírus?

Exames de sangue podem ajudar a identificar o vírus, mas eles são analisados em laboratórios e o resultado pode levar horas. Atualmente, os aeroportos não têm capacidade para fazer esses testes.

Além disso, como o vírus tem um período de incubação de dois a 21 dias, os testes podem não detectar o vírus em pessoas que só apresentarem os sintomas depois.

A triagem nos aeroportos de chegada vai funcionar?

Alguns especialistas em saúde afirmam que, se os viajantes passaram por testes nos aeroportos de saída - nos países com casos de ebola - e não foi detectado nenhum sintoma, o teste no aeroporto de chegada dificilmente detectará um caso suspeito.

Eles dizem que é extremamente improvável que muitas pessoas desenvolvam os sintomas durante o voo, o que significa que a triagem adicional na chegada dificilmente pegaria muitos casos.

Mas as autoridades veem os testes como "cuidados adicionais".

É possível pegar ebola de outro passageiro no avião?

O ebola pode ser transmitido apenas pelo contato com fluidos corporais de alguém com a doença.

Durante esta epidemia não houve nenhuma evidência que sugerisse que alguém tenha pego o vírus em um avião.

Mesmo se alguém desenvolver sintomas no voo, para que outros passageiros peguem a doença eles teriam que estar em contato com fluidos corporais do passageiro com ebola.

Vômito, sangue e fezes contém as partículas do vírus mais contagiosas. Assim, os riscos continuam a ser extremamente baixos, a menos que você esteja tratando de alguém que está doente no avião.

Os testes teriam detectado os casos dos EUA ou da Europa até agora?

Mesmo se os testes já estivessem em vigor nos EUA, Thomas Eric Duncan, o primeiro homem a ser diagnosticado com ebola no país no surto atual , não teria sido identificado.

O primeiro paciente diagnosticado com ebola nos EUA, Tomas Eric Duncan, em foto tirada em 2011 em um casamento em Gana
AP
O primeiro paciente diagnosticado com ebola nos EUA, Tomas Eric Duncan, em foto tirada em 2011 em um casamento em Gana

Ele só apresentou sintomas uma semana depois de voltar aos EUA.

O primeiro caso diagnosticado na Europa nesta epidemia, da enfermeira espanhola Teresa Romero, também não teria sido identificado pela triagem no aeroporto, porque a profissional de saúde já estava no país quando pegou a doença.

Ela integrava a equipe que tratou, na Espanha, de um padre que contraiu ebola em Serra Leoa e foi transferido para Madri.

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