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Vírus não é transmitido pelo ar; isolamento de pacientes que passaram por países africanos com o surto é necessário

A suspeita de um paciente proveniente da Guiné ter chegado ao Brasil infectado com o ebola deixou muita gente preocupada nesta sexta-feira (11). No entanto, infectologistas explicam que não é necessário ter pânico, já que, mesmo que a doença se confirme, a transmissão do ebola não se dá tão facilmente. Soma-se a isso o fato de os primeiros cuidados terem sido feitos da forma correta em Cascavel (PR), onde o africano procurou o serviço de emergência após sentir febre alta.

O diretor da Sociedade Brasileira de Infectologia, Luís Aranha Camargo, explica que o contágio não é tão simples. "Não é como a gripe suína, que se pega pelo ar. O ebola não se transmite pelo ar, é preciso um contato físico, com secreções da pessoa, que pode ser suor excessivo e sangramento, por exemplo", acalma ele. "Ninguém vai pegar ebola andando na rua ou estando na mesma sala que o paciente, se não tiver contato físico", detalha.

O diretor do pronto-socorro do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, Ralcyon Teixeira, explica que o ebola se disseminou na África devido às condições sanitárias precárias, bem como a falta de atendimento médico, uma vez que os pacientes começam a ser tratados em casa por suas famílias, e há contato dos familiares com fluidos, como vômito, e assim se dá a transmissão.

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"Se o ebola chegar ao Brasil, não será como está acontecendo na África, pois lá há um ambiente completamente descontrolado do ponto de vista médico, sanitário e de vigilância epidemiológica", explica ele. "Aqui, o paciente será colocado em um hospital com controle bom, e todos que tiverem contato com ele serão monitorados", explica.

Para quem teve contato com qualquer paciente com ebola, a recomendação de Camargo é que a pessoa seja isolada por 21 dias, período de incubação do vírus, quando ele poderá apresentar sintomas. 

Suspeita de caso no Brasil

O caso do paciente da Guiné deve ser confirmado em menos de 24 horas. A amostra de sangue foi enviada ao laboratório do Instituto Evandro Chagas, no Pará.

O tratamento que foi dado ao paciente com suspeita de ebola foi completamente adequado, no sentido de isolar o hospital e transferi-lo com segurança para um hospital especializado. Todos que apresentarem sintomas possíveis da doença e tiverem tido contato com ele serão monitorados, e qualquer pessoa que venha de algum país onde o surto esteja acontecendo deve receber o mesmo tipo de atendimento médico que o primeiro paciente com suspeita de ebola no Brasil. 

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"Mesmo se esse resultado der negativo, será colhida em 48 horas uma segunda amostra para análise", disse o ministro da saúde, Arthur Chioro.

O infectologista Edimilson Migowiski, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), disse que, mesmo que o paciente não apresente todos os sinais de contágio da doença, o isolamento é imprescindível, para evitar que a possível doença se espalhe no País.

“Frente a elevada letalidade do ebola, tem que se pecar pelo excesso. Se o paciente veio de uma área com circulação do vírus e chega aqui, mesmo que seja com sinal brando, com febre baixa e quadro clínico não tão exuberante quanto o ebola costuma manifestar, ainda assim, acho que todo o rigor deve ser feito, no sentido de limitar o contato desse paciente com outras pessoas e mantê-lo isolado até que o diagnóstico seja confirmado ou descartado", informou.

Veja fotos do paciente com suspeita de ebola no Brasil:


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