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Arthur Chioro também descartou hipótese de impedir entrada de estrangeiros no País ou realizar testes em aeroportos

Após o resultado negativo do primeiro diagnóstico etiológico do paciente suspeito de infecção pelo vírus ebola no Brasil , o ministro da Saúde, Arthur Chioro, lamentou as “manifestações racistas” relacionadas à entrada de africanos no Brasil e reforçou que a principal medida a ser adotada no combate à epidemia de ebola deve ser na saída dos países de origem e não com uma restrição de acesso ao país. Chioro comparou os ataques a africanos com o preconceito contra homossexuais e rótulo de “peste gay” atribuído à AIDS, nos anos 1980.

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O guineense Souleymane Bah, de 47 anos, permanece em total isolamento no Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, no Rio de Janeiro (RJ). O resultado final só será confirmado na próxima segunda-feira, após a coleta de uma nova amostra de sangue. A possibilidade de dengue ou malária já foram descartadas. Também seguem sob observação, porém não isolados, os pacientes que tiveram contato com Bah, no município de Cascavel (PR). De acordo com o Ministério da Saúde, o Brasil continua sendo um país com pouca chance de transmissão do ebola.

“Há algumas manifestações lamentavelmente racistas inaceitáveis em um país civilizado como o nosso. Nós temos que repudiar de forma categórica. É inaceitável que brasileiros – que não sei nem se são dignos de serem chamados de brasileiros – tenham a capacidade de aproveitar esse momento para colocar sua raiva, seu ódio, suas expressões racistas. Acho que isso tem de ser superado”, criticou Chioro. “Para combater a ignorância, vamos precisar de muita informação”, completou o ministro.

Para evitar preconceitos e garantir que todos os procedimentos de segurança sejam aplicados com rigor, o Ministério da Saúde tem realizado simulados com viajantes de nacionalidade europeia, com um perfil diferente do esperado.

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“Medida de controle não pode significar patrulhamento. Estamos falando de países muito empobrecidos em que a capacidade de as pessoas saírem desses países também é muito pequena”, lembrou Chioro, ao afirmar que o fechamento de fronteiras seria “contraindicado”, pois contribuiria para a entrada irregular de estrangeiros, dificultando o monitoramento do período de incubação. O ministro disse não ter informações sobre a suspensão da emissão de vistos nos três principais focos de ebola na África – Libéria, Serra Leoa e Guiné, de onde saiu o paciente identificado como suspeito de infecção.

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Chioro ressaltou que a procura do guineense Soulymane Bah pelo Sistema Único de Saúde foi fundamental para que o governo pudesse agir. “A grande vantagem desse caso é que ele procurou uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento), um serviço público. Se ele tivesse ficado em casa, fosse um caso confirmado e não soubéssemos, poderíamos estar diante de um desastre”, disse o ministro. “Tenham a certeza de que ninguém será deportado e que devem procurar o serviço. Se não tivéssemos a informação confirmada pelo passaporte de que ele entrou no Brasil no dia 19 de setembro, não teríamos condição de consolidar informação sobre incubação”, afirmou.

De acordo com Chioro, a presidente Dilma Rousseff e o ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, têm acompanhado com atenção os desdobramentos do caso. “Quem conhece a presidenta sabe que a gente nunca precisa entrar em contato, ela mesma trata de monitorar ativamente todas essas questões”, disse o ministro, ao ressaltar que iniciativas como a doações de alimentos e kits de medicamentos para os países atingidos pela epidemia do ebola foram uma “orientação expressa” de Dilma.

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