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Antes tratável apenas com cirurgia ou botox, nova técnica tem duração semelhante à toxina botulínica e não envolve agulhas

A radiofrequência gera uma inflamação nas glândulas sudoríparas, impedindo o sinal que aciona a liberação do suor. O resultado dura em média oito meses
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A radiofrequência gera uma inflamação nas glândulas sudoríparas, impedindo o sinal que aciona a liberação do suor. O resultado dura em média oito meses

O suor tem papel importante no organismo, para a regulação da temperatura corpórea. No entanto, se for excessivo, pode causar desconfortos – há casos em que chega a gotejar. A esse excesso de suor, dá-se o nome de hiperidose.

"A hiperidrose não é uma doença grave que leva ao risco de vida, mas trata-se de situação extremamente desconfortável, que causa profundo embaraço social e transtornos de relacionamento e psicológicos no portador que frequentemente se isola e adquire hábitos procurando esconder o seu problema”, diz a dermatologista Erica Monteiro. Cumprimentar uma pessoa, por exemplo, pode fazer com que o portador da condição se sinta obrigado a secar a mão antes do ato.

A médica explica que as áreas do corpo mais atingidas são axilas, palmas das mãos, plantas dos pés e virilha, mas pode acontecer em outras partes também. 

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Antes, para resolver o problema, só havia a cirurgia de retirada da glândula sudorípara e a aplicação da toxina botulínica, conhecida por botox. A nova técnica de radiofrequência, no entanto, promete ser tão eficaz quanto o botox – e sem dor. O botox é aplicado por meio de agulhas, e, dependendo da região – como mãos e pés, “é preciso fazer o bloqueio anestésico, que é injetar um anestésico no ramo que enerva a mão”, explica Carolina Marçon, da Sociedade Brasileira de Dermatologia, detalhando que o botox é muito eficaz e o efeito dura de seis a oito meses.

A nova técnica, no entanto, veio para ajudar também quem tem aversão à agulhas, o que tornava a aplicação anterior mais angustiante. “Além disso, a radiofrequência nas axilas consegue bloquear um outro canal que secreta um líquido leitoso, rico em amidos, proteínas, lipídios e carboidratos, que torna um ambiente propício para proliferação de bactérias e, consequentemente, do mau odor”, explica Cristiano Velasco, dermatologista membro da Sociedade Brasileira de Laser em Medicina e Cirurgia.

A aplicação é simples e o paciente só sentirá um leve aquecimento no local, explica Velasco. A radiofrequência consegue gerar uma inflamação na glândula que secreta o suor, fazendo com que o sinal enviado pelo cérebro para liberar o suor seja completamente interrompido por cerca de oito meses. Com isso, a pessoa não sua. Depois desse período, a sudorese pode voltar, fazendo com que a pessoa precise fazer a radiofrequência novamente. O retorno depois de oito meses também acontece com o Botox.

Veja algumas situações sociais que quem tem hiperidrose acha desconfortável: 

Independente do sexo, há dois motivos para uma pessoa ter hiperidrose. O primeiro é por genética: alguns já nascem com ela. Na sudorese excessiva secundária, pode ser que haja alguma alteração na tireoide, como explica a dermatologista Carolina.

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“Pode ser um hipertireoidismo (funcionamento excessivo da tireoide). Além disso, pode ser decorrente da obesidade e de medicações”, explica a médica. No entanto, a situação mais comum é a hiperidrose primária, que é genética e é desencadeada por situações de estresse ou ansiedade, diz ela.

Nesse caso primário, controlar a ansiedade e estresse podem ajudar a suar menos. Na hiperidrose secundária, se o problema for a obesidade, emagrecer pode resolver. Se for tireoide, regular os hormônios livra a pessoa do problema.

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