Tamanho do texto

Pesquisa descobriu um composto orgânico capaz de evitar acúmulo de metais fisiológicos no cérebro, o que pode ajudar a retardar a progressão da doença

Novas e promissoras perspectivas no tratamento da doença de Alzheimer foram apresentadas nesta quarta (12) durante o Primeiro Encontro sobre Envelhecimento e Doenças Neurodegenerativas da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Pesquisa de laboratório descobriu um composto orgânico capaz de evitar o acúmulo de metais fisiológicos no cérebro, o que pode ajudar a retardar a progressão da doença.

Prevenção: Um em três casos de Alzheimer pode ser evitado, diz estudo

Cérebro com Alzheimer e cérebro normal:
AP
Cérebro com Alzheimer e cérebro normal: "apagão" em algumas áreas mostra ação da doença

A pesquisa é fruto de parceria entre o Departamento de Química do Centro Técnico Científico da PUC-Rio e o Instituto de Biologia Molecular e Celular de Rosario, na Argentina.

Um dos coordenadores da pesquisa, Nicolás A. Rey, explicou que os testes experimentais comprovaram que o composto hidrazona mostrou-se eficaz no sequestro dos biometais zinco, cobre e ferro da beta-amiloide, proteína encontrada em grande quantidade nos pacientes com Alzheimer. "Os metais que se acumulam na beta-amiloide produzem radicais-livres, que atacam os próprios neurônios", explicou.

Leia também:

Escolarização, mesmo se pouca e tardia, atua como antídoto contra Alzheimer
'Meu pai repetia sempre as mesmas coisas e foi diagnosticado com Alzheimer'

Os pequenos agrupamentos de beta-amiloide podem bloquear a sinalização entre as células nas sinapses, que é o primeiro passo para a série de eventos que leva à perda de neurônios e aos sintomas da doença. Nicolás disse que "o hidrazona tem boa absorção no cérebro, não é tóxico, e seu processo [de produção] é ambientalmente correto e de baixo custo".

Após testes preliminares em animais, a reação do grupo de controle foi muito positiva, segundo o cientista, sem mortes ou doenças entre os ratos que receberam enormes doses da substância. Os testes devem durar mais um ano e meio, e nesse período a equipe vai buscar parceiros para a fase de testes farmacológicos na busca por drogas anti-Alzheimer.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.