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Pesquisa israelense expôs fumantes a associações durante o sono e reduziu 'significativamente' o consumo de cigarros

A associação induzida durante o sono entre o cheiro de cigarro e o de peixes podres pode ajudar a reduzir o fumo, sugere pesquisa realizada por cientistas do departamento de Neurobiologia do Instituto Weizmann, em Israel.

A pesquisa, publicada no Journal of Neuroscience, envolveu o Laboratório do Olfato do instituto, dirigido pelo professor Noam Sobel, e o Laboratório do Sono.

Foram examinadas as reações de 66 voluntários fumantes a uma noite de exposição ao cheiro de cigarros intercalado com odores desagradáveis, de peixes ou ovos podres. Eles diminuíram seu consumo de cigarros em 30%.

Para pesquisadores, associação inconsciente entre odores levou os fumantes a diminuir seu consumo de cigarros
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Para pesquisadores, associação inconsciente entre odores levou os fumantes a diminuir seu consumo de cigarros


De acordo com a diretora da pesquisa, a neurobióloga Anat Arzi, na semana seguinte à experiência os fumantes informaram que o número de cigarros consumidos baixou significativamente.

"A pesquisa demonstra que a aprendizagem durante o sono pode influenciar nosso comportamento quando estamos acordados. Utilizamos o fumo porque se trata de um comportamento repetitivo e cotidiano, fácil de medir", disse a pesquisadora à BBC Brasil.

Diferentemente de outros estímulos sensoriais – como luz, som ou toque –, os cheiros, mesmo sendo fortes, não acordam as pessoas, que permanecem em um estado de inconsciência. "O olfato humano pode ser uma via de acesso para a mente adormecida", agregou Arzi.

Inconsciente

No dia seguinte após a experiência, os voluntários não lembravam dos cheiros aos quais foram expostos, por intermédio de uma máscara, durante o sono.

No entanto, a associação inconsciente que se estabeleceu em suas mentes, entre o cigarro e os cheiros desagradáveis, os levou a fumar menos.

Para que o condicionamento funcione, as associações devem se estabelecer de forma inconsciente.

Os pesquisadores também expuseram os voluntários à mesma sequência de cheiros enquanto estavam despertos, mas nessas condições não se criou a associação inconsciente e não houve mudanças no comportamento - ou seja, o número consumido de cigarros consumidos não baixou.

De acordo com Arzi, a experiência indica que o condicionamento por intermédio de estímulos de cheiros durante o sono pode se tornar um método eficaz para combater o vício do fumo.

No entanto, segundo a cientista, "ainda são necessárias pesquisas mais aprofundadas e específicas, que examinem as reações a longo prazo".

"Do ponto de vista técnico é possivel construir um aparelho móvel que poderia ser utilizado por fumantes em suas casas", acrescentou.

Nesse caso, no futuro os fumantes comprariam um aparelho desse tipo numa farmácia e passariam as noites sendo expostos a cheiros intercalados de cigarros e de ovos ou peixes podres. No dia seguinte fumariam menos.

A hipótese é que, dependendo da intensidade e frequência desse tipo de tratamento, poderiam até vir a parar de fumar.

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