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Chamado de food detective, teste custa cerca de R$ 600 e não é regulamentado pela Sociedade Brasileira de Alergia e Imunologia; médicos não recomendam ferramenta

Food detective, teste que promete detectar intolerâncias alimentares não é recomendado por médicos
Thinkstock/Getty Images
Food detective, teste que promete detectar intolerâncias alimentares não é recomendado por médicos

Apenas uma gota de sangue e serão identificadas intolerâncias alimentares que podem causar dores de cabeça, inchaço e até excesso de peso. É o que promete o chamado food detective –  ou detetive dos alimentos –, um teste que tem se popularizado, apesar do custo que pode chegar a R$ 600. Qualquer um pode fazer: há quem prefira comprar o kit pela internet e seguir as instruções da embalagem, outros optam por consultar um médico que aplique esse teste, para análise do resultado.

Médicos consultados pelo iG , no entanto, afirmam que não há estudos que comprovem os benefícios desse teste e que, ao menos atualmente, ainda não há exames tão específicos assim para detectar intolerância alimentar, exceto para glúten e lactose. Portanto, não recomendam na prática clínica.

A endocrinologista do Centro de Obesidade e Diabetes do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Tarissa Beatrice Zanata Petry, explica a controvérsia que há no food detective . Segundo ela, testes como esse detectam o anticorpo IgG, produzido pelo sistema imune em reação a alimentos específicos.

“Porém, não há nenhum estudo científico que confirme que se o paciente possuir IgG contra determinado tipo de alimento, ele realmente é intolerante. Pelo contrário. A literatura científica sugere que a presença de IgG é apenas marcador de exposição a esses alimentos. Portanto, o teste poderá dar positivo para alimentos que o indivíduo consuma em maior quantidade", alerta a médica.

Ainda segundo Tarissa, testes desse gênero levariam indivíduos saudáveis a realizarem dietas restritivas desnecessárias que podem levar a deficiências nutricionais.

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A alergologista e imunologista membro da Sociedade Brasileira de Alergia e Imunologia Ariana Campos Yang também não recomenda o food detective e explica que o diagnóstico de alergia ou intolerância é lento, precisa de algumas etapas. “A primeira é a suspeita clínica, a partir de um determinado sintoma que incomoda, como dor de cabeça, inchaço, indigestão, cólicas. A partir daí, restringe-se o alimento da dieta e observa se a ausência melhora a situação."

A médica explica que há alguns sintomas que melhoram por fatores subjetivos, então é preciso reintroduzir os alimentos na dieta para ver se há piora.

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A escolha dos médicos

O teste de escolha dos alergologistas é o RAST – aprovado pela Sociedade Brasileira de Alergologia e Imunologia. 

Diferente do food detective , que promete identificar intolerância, o RAST identifica alergias. E uma coisa é bem diferente da outra. A alergia é quando o organismo não reconhece alguma coisa que a pessoa come e reage contra o alimento. A intolerância é quando falta alguma coisa no organismo para digerir determinados alimentos.

“Os sintomas não serão iguais aos da alergia, mas sim mais leves. Pode dar distensão abdominal, gases, e outros pequenos sintomas”, explica a alergologista e professora da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Danielle Harari.

Quando questionada sobre alimentos que poderiam desencadear crise de enxaqueca, por exemplo, ela esclarece. “Só porque algo te faz mal não significa que é uma intolerância. Isso não é linguagem científica”, diz.

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Atualmente, além do RAST, que detecta alergia a pouco mais de duas dezenas de alimentos, já há outro exame mais avançado no mercado. Chamado ImunnoCAP ISAC, o teste detecta a partir de uma gota de sangue se a pessoa tem alergia a mais de 100 alimentos. A partir daí, o alergologista faz todo aquele processo de retirar as substâncias da dieta para ver a reação.

Como o exame é novo, poucos laboratórios oferecem o teste que custa cerca de R$ 1.200. 

Veja abaixo os alimentos que mais causam alergias:



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