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Há problemas com poucos sintomas ou sinais difusos que atrasam o sonho de engravidar; doenças acometem tanto mulheres como homens

Doenças sexualmente transmissíveis são um problema quando o assunto é fertilidade; homens e mulheres são afetados com queda na possibilidade de ter filhos
Thinkstock/Getty Images
Doenças sexualmente transmissíveis são um problema quando o assunto é fertilidade; homens e mulheres são afetados com queda na possibilidade de ter filhos

Um casal que está há mais de um ano tentando engravidar e não consegue entra para o grupo daqueles que devem ter a saúde investigada para descobrir problemas relacionados à fertilidade. Algumas doenças e problemas silenciosos acabam minando o desejo de ser mãe ou pai, mas a boa notícia é que para a maioria há tratamento.

O ginecologista Renato de Oliveira, da Criogênesis, explica que 30% dos problemas de infertilidade são por causa de problemas do casal, 30% por problemas femininos, 30% por problemas masculinos e 10% por causas desconhecidas. Nesse grupo, para as mulheres, entra a endometriose, endometrite crônica, síndrome dos ovários policísticos, doença inflamatória pélvica, além da obesidade, tabagismo e uso de drogas.

Para os homens, a obesidade, tabagismo e uso de drogas também comprometem a qualidade do sêmen. Mas o grande responsável para a infertilidade masculina, segundo Oliveira, é a varicocele. 40% dos casos estão relacionados às varizes nos testículos. Além disso, há a prostatite crônica que pode causar perda na qualidade do sêmen.

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Por todos esses fatores, o especialista em reprodução humana e diretor-médico do Vida – Clínica de Fertilidade da Rede D’Or, Paulo Gallo, a investigação para descobrir a causa da infertilidade não deve ficar somente na mulher ou no homem. “Deve-se pesquisar os dois. Nada impede que a mulher tenha a síndrome dos ovários policísticos, mas o marido também tenha o esperma alterado”, diz ele. Segundo Gallo, em cerca de dois meses é possível fazer todos os exames e já decidir pelo tratamento.

Gallo explica que o tratamento vai depender, como sempre, da causa do problema. É clínico quando a causa é alguma infecção, já que é possível prescrever antibióticos. Já para problemas hormonais, é possível estimular a ovulação por meio de medicamentos. Para casos mais severos, uma cirurgia pode ser indicada. Quando não funciona, parte-se para a reprodução assistida.

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Gallo explica quais são as doenças que mais atingem homens e mulheres quando o assunto é infertilidade:

1 - Endometriose 
Entenda a doença  - O endométrio é o revestimento do útero. Quando esse revestimento sai para fora da cavidade uterina e se aloja nas trompas, intestinos, ovários e bexiga, por exemplo, é o que se chama de endometriose. Com a menstruação mensal, o endométrio fica mais espesso para que o óvulo fecundado possa ser implantado ali. Quando não há fecundação, parte do endométrio se descama e é expelido. Em determinados casos, um pouco desse sangue acaba migrando fora do seu caminho habitual – que é para fora do corpo – e acaba caindo nos ovários ou até mesmo na cavidade abdominal. É o que se chama de endometriose. 

Causas do problema - Não há causas estabelecidas, apenas sabe-se que a mulher que tem casos na família, como a mãe e irmã, tem chances maiores de desenvolver a doença.

Sintomas da endometriose – As mulheres se queixam mais de cólicas menstruais, dor antes da menstruação e também nas relações sexuais, dor crônica na região pélvica, fadiga e exaustão.

Como prevenir – por não se saber exatamente a razão do surgimento da endometriose, pouco se sabe também como prevenir. No entanto, parece que o consumo de álcool e café pode estar associado com o aumento do risco ou até mesmo com a piora da doença. Fazer atividades físicas, porém, ajuda a reduzir os sintomas. Consultar um ginecologista para avaliação periódica é fundamental.

Como tratar – é possível tratar a endometriose com medicamentos analgésicos, anti-inflamatórios, tratamentos hormonais e até com cirurgia. Nesse caso, faz-se uso de um procedimento chamado laparoscopia. É possível eliminar apenas os focos da doença ou complicações, como cistos. Em casos mais graves, é necessária a remoção dos órgãos pélvicos afetados pela enfermidade.

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2 - Endometrite crônica 

Entenda a doença – embora completamente diferente da endometriose, também trata-se de uma inflamação que acomete o endométrio, o revestimento do útero.
Causas do problema – há várias razões, como infecção pela clamídia, ureaplama ou micoplasma. Além disso, pode ser uma decorrência da doença inflamatória pélvica, salpingite, lesões e danos durante um parto ou aborto. 

Sintomas da endometrite crônica – geralmente a endometrite crônica não dá sintomas; A infertilidade, portanto, pode ser um daqueles sintomas silenciosos. Algumas pessoas podem relatar um desconforto pélvico leve, como uma sensação de peso no baixo ventre. O diagnóstico vem por meio da vídeo-histeroscopia..

Como prevenir – como a doença normalmente não provoca sintomas, a prevenção é usar preservativo nas relações sexuais.

Como tratar – antibióticos orais ou intravenosos é o tratamento de escolha dos médicos.

3 - Doença Inflamatória Pélvica (DIP) ou Infecção Pélvica

Entenda a doença - a DIP é causada por uma bactéria, a chlamydia trachomatis, e pode atingir tanto mulheres como homens.

Sintomas da DIP – para os homens, o sintoma é um corrimento claro, em pouca quantidade, pelo canal da uretra. Esse corrimento é acompanhado por dor e desconforto na hora de urinar. Os sintomas principais são dor pélvica, sangramento, constipação, crescimento da barriga, mal estar e febre. A doença pode evoluir para prostatite crônica, interferindo na qualidade dos espermatozoides.

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Já nas mulheres, além do pequeno corrimento, pode acontecer um sangramento discreto fora do período menstrual. Além disso, dor para urinar e dor nas relações sexuais. A doença pode complicar e exigir internação imediata. As consequências da DIP é a esterilidade, dor pélvica crônica e gravidez tubária.

Como prevenir – a DIP é uma doença sexualmente transmissível (DST), portanto a prevenção é usar preservativo nas relações sexuais.

Como tratar – por ser causada por bactéria, é tratada com antibióticos. Em casos mais severos, uma cirurgia para retirada da trompa ou ovários comprometidos se faz necessária. 

4 - Prostatite crônica 
Causas da doença – a prostratite é uma inflamação crônica na próstata, geralmente causada por bactérias. Fungos ou parasitas também podem provocar a doença. Os microorganismos mais envolvidos no problema são Chlamydia, Ureaplama ou Micoplasma.

Sintomas da prostratite crônica - febre, tremores e dor ao urinar são comuns nessa doença. Mas nem sempre os sintomas são claros.

Como prevenir – novamente, por ser uma DST, a prevenção é usar preservativo na relação sexual. 

Como tratar – Antibióticos, para eliminar as bactérias e analgésicos para aliviar a dor. 

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5 - Varicocele 

Entenda a doença - a varicocele nada mais é do que varizes no testículo, ou seja, veias tortuosas e dilatadas na região. O resultado do problema é a piora da qualidade do sêmen e até mesmo a infertilidade. 

Causas do problema – é genético.

Sintomas da varicocele – na grande parte das vezes, não apresenta sintomas além da dilatação das veias dos testículos. Em alguns casos, no entanto, pode provocar dor e desconforto. 

Prevenção – por ser uma doença genética, não há prevenção.  

Tratamento - caso o homem tenha dor ou infertilidade por causa da varicocele, uma pequena cirurgia pode ser necessária. Por meio de dois pequenos cortes na região pubiana, a ligadura das veias varicosas é feita. 

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