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Reação exagerada a eventos cotidianos pode ser doença; tímidos têm mais propensão a sofrer do problema

O transtorno explosivo intermitente, também conhecido por síndrome do pavio curto, é um problema que começa a surgir no final da adolescência e início da vida adulta. Sabe aquela pessoa que, do nada, tem um acesso de fúria, grita ou agride alguém, e o estopim foi apenas um pisão no pé sem intenção? Ela tem grandes chances de sofrer da síndrome do pavio curto. A maior característica do problema é ficar extremamente irritado por motivos bobos.

>> Veja sinais de que você pode sofrer da síndrome do pavio curto:


Esse transtorno, no entanto, acaba comprometendo a vida social, financeira, profissional e jurídica da pessoa. Quem tem uma explosão no trabalho pode ser demitido, ter problemas com a lei – e até mesmo ser preso, no caso de ter agredido alguém na rua, por exemplo. Separações e perda de amigos também são comuns já que ninguém sabe quando e qual será a razão fútil para o próximo ataque de fúria.

A psiquiatra Daniela Gava e o psicólogo Marcelo Gianini, do Hospital São Cristóvão, em São Paulo, explicam que, normalmente, quem sofre da síndrome acaba se arrependendo depois de uma explosão. Além disso, a pessoa percebe claramente que feriu alguém de alguma forma.

Mesmo assim, nem sempre essa reflexão sobre as situações incontroláveis levam o doente a buscar ajuda. Para controlar o problema, é preciso ter acompanhamento psicológico e psiquiátrico.

Para os ataques nervosos serem considerados síndrome do pavio curto eles precisam acontecer no mínimo duas vezes na semana e as razões devem ser fúteis. É normal uma pessoa ficar nervosa por algo sério, mas, se por motivos bobos há um descontrole, é necessário visitar um psiquiatra.

Como, afinal, surge a síndrome do pavio curto? Primeiramente há uma causa neurobiológica, que acontece por uma desregulação dos neurotransmissores. Histórico familiar também leva a uma maior propensão a desenvolver o problema. Juntando isso com fatores ambientais do dia a dia, como transporte público diariamente lotado, tecnologia que aumenta cobranças – é necessário estar disponível 24h por dia – e com traumas, como perdas, separações, acidentes, há um conjunto perfeito para o transtorno explosivo intermitente.

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Tímidos

Os “reclamões de plantão” acabam sofrendo menos do problema. Os mais afetados são os tímidos, que guardam tudo para si e são passivos.

“Tolerar não significa aceitar. O tímido está fingindo que está tudo bem, mas, no fundo, está sendo agredido. Em algum momento, ele vai estourar”, explica Daniela. “Passividade em excesso não é uma situação que traz bem-estar”, ressalta a psiquiatra.

Outro fator que leva a uma sobrecarga do problema é achar que se muita gente tolera uma situação, é preciso tolerar também. “Não é assim que funciona, são lineares individuais”, explica Daniela.

Para controlar a fúria, é preciso adequar a vida a estratégias, explica o psicólogo Marcelo Gianini, fazendo referência a situações estressoras do dia a dia que não é possível contornar. Como fugir do trânsito do horário de pico? As chances de que isso seja possível são mínimas, então ele defende que é preciso entender que a situação faz parte da vida e que nada vai mudá-la.

Tratamento

A psicoterapia cognitivo-comportamental ajuda a entender porque uma pessoa tem um comportamento explosivo e incontrolável nesses momentos. “Entender por que há esse comportamento ajuda a trabalhar racionalmente. Depois disso, é possível desenvolver outros caminhos e ações para evitar o problema”, conta Gianini.

Em muitos casos, é preciso associar uma medicação junto com a psicoterapia. No entanto, há muito preconceito com os antidepressivos, medicamentos de escolha para essas ocasiões.

“Antidepressivo não deveria levar esse nome porque serve para muitas outras coisas. Ele mexe nos neurotransmissores e diminui a atenção para eventos externos que dão raiva”, explica a psiquiatra.

“Muitos pacientes que resistiam à medicação e passam a fazer uso dela chegam no consultório dizendo: ‘por que demorei tanto tempo para aceitar tomar o remédio?’”, pontua Daniela.

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