Tamanho do texto

Além de predisposição genética, fatores como a perda de um ente querido ou de um emprego podem desencadear a doença

Investigação sobre acidente aéreo aponta que copiloto teria derrubado o avião de propósito
FACEBOOK / REPRODUÇÃO
Investigação sobre acidente aéreo aponta que copiloto teria derrubado o avião de propósito

Depressão é a terceira causa de morte no mundo, atrás apenas de doenças cardiovasculares e AVC. No entanto, as mortes causadas pela doença não são aquelas em que os deprimidos tiram a própria vida, mas sim a baixa da imunidade que os deixam susceptíveis a muitos problemas, segundo o psiquiatra do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Vladimir Bernik.

Com a suspeita de que Andreas Lubitz, copiloto do avião que caiu nos Alpes Franceses, tenha derrubado a aeronave propositalmente  porque estaria sofrendo de depressão, as pessoas começaram a indagar se seria comum - e possível - alguém com depressão cometer um ato de desespero tão profundo. Bernik, que também é ex-professor titular da Faculdade de Ciências Médicas de Santos, discorda dessa possibilidade. 

Segundo o médico, se o piloto estivesse com depressão no momento do voo, alguém teria percebido algo errado. “Ninguém percebeu nada. Ele trancou a cabine por dentro, foi um ato deliberado”, afirma. Bernik diz que, para ele, outras hipóteses, e até mesmo a de terrorismo, fariam mais sentido do que a de depressão.

Perdas e problemas

Nem todos os deprimidos se suicidam. Aliás, dados apontam para uma pequena porcentagem. Uma a cada cinco pessoas têm depressão, explica Bernik, mas menos de 10% dos doentes tentam tirar a própria vida. “E esses que se suicidam é porque o medicamento falhou. Mas há meios de perceber o agravamento da depressão antes de chegar a esse ponto”, explica Bernik.

Existem razões comportamentais para uma pessoa ter depressão, como a perda de um ente querido, de um emprego e problemas no relacionamento amoroso, entre outras questões. Há também aquela pessoa que, geneticamente, é mais propensa a sofrer da doença.

Leia também: Copiloto tinha 28 anos e era formado na escola de voo da Lufthansa

“A pessoa tem predisposição a ter depressão, pois tem níveis de neurotransmissores, como a serotonina, muito reduzidos”, explica o psiquiatra e diretor médico da Clínica Maia, Fernando Mauad.

Se o indivíduo está sendo tratado, Bernik explica que dificilmente chegará ao ponto de cometer suicídio. “O suicídio acontece quando a pessoa é inadequadamente tratada. Mas se fosse isso, os chefes do copiloto teriam percebido que ele não estava bem. Se ninguém percebeu, essa possibilidade de depressão é muito remota”, diz o ex-professor titular da Faculdade de Ciências Médicas de Santos.

Planejamento suicida

Os pensamentos suicidas de fato ocorrem em quem está deprimido e não recebe tratamento adequado. “O paciente começa com pensamentos suicidas, de que a vida não vale mais a pena, que as coisas perderam o sentido, e isso vai evoluindo para um planejamento suicida. Ele passa a arquitetar formas de se matar”, explica Mauad.

“Quando chega a esse ponto, é necessário internação, pois o risco de suicídio é muito grande”, diz.

Segundo Mauad, é possível perceber que há algo errado quando essa situação extrema chega. “Geralmente, a pessoa expressa essa vontade para um amigo ou familiar. As mulheres tendem a expressar mais, os homens a ficar mais um pouco silenciosos”, diz ele, ressaltando que é possível identificar que algo não está bem.

A solução para a depressão, segundo os médicos, é tratar desde o início dos sintomas. “O tratamento adequado da depressão reduz muito o risco de suicídio”, diz Mauad. “Evitar que os quadros mais leves se tornem graves é o caminho para evitar problemas”.

Veja também:
Depressão avança no mundo e desafia médicos
Depressão atinge 10% da população, mas saúde pública não consegue diagnosticar

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.