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Pesquisa analisou dois milhões de britânicos e descobriu que sobrepeso e obesidade diminuem riscos em até 24%

Resultados da pesquisa vão contra corrente atual de aconselhamentos da medicina
Thinkstock/Getty Images
Resultados da pesquisa vão contra corrente atual de aconselhamentos da medicina

Estar acima do peso diminui o risco de Mal de Alzheimer, de acordo com a maior e mais precisa investigação sobre essa relação. Os pesquisadores admitiram ter ficado surpresos com a descoberta, que vai contra a corrente atual dos aconselhamentos da medicina.

A análise de dados de quase dois milhões de britânicos, publicada pela revista médica Lancet Diabetes & Endocrinology, mostrou que pessoas abaixo do peso correm um risco maior de desenvolver a doença.

Mesmo assim, organizações dedicadas ao tratamento da demência aconselham que é preciso se exercitar, ter uma dieta balanceada e não fumar.

A demência é uma das questões que gera maior pressão sobre a medicina moderna. O número total de pacientes no mundo pode triplicar e chegar a 135 milhões em 2050.

Atualmente não há cura para a doença. Os médicos aconselham que se mantenha um estilo de vida saudável para tentar diminuir o risco de desenvolvê-la. Mas essa recomendação pode estar equivocada.

Surpresa

A equipe, formada por cientistas da empresa Oxin Epidemiology e da universidade London School of Hygiene and Tropical Medicine, analisou registros médicos de 1,9 milhão de pessoas com cerca de 55 anos por um período de duas décadas.

A análise mais conservadora feita pelos pesquisadores diz que pessoas abaixo do peso têm um risco 39% maior de desenvolver demência em relação àqueles que estão com um peso saudável.

Mas aqueles que estavam com sobrepeso tiveram uma taxa de redução de risco de 18%. Nos obesos, o percentual foi de 24%.

"Sim, isso é uma surpresa", disse o pesquisador Nawab Qizilbash.

"O lado controverso é a constatação de que pessoas acima do peso ou obesas têm um risco menor de desenvolver demência que uma pessoa normal, com um índice de massa corporal sudável."

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"Isso vai de encontro à maioria, senão a todos os (resultados de) estudos que foram feitos, mas se você compará-los todos juntos, nosso estudo os supera em termos de tamanho e precisão", disse ele.

A explicação de como o maior peso tem um efeito protetor em relação à demência ainda não está totalmente clara. Há algumas teorias de que deficiências das vitaminas D e E contribuem para a demência – e essas deficiências são menos comuns para quem come mais.

Mas Qizilbash disse que o resultado da pesquisa não deve ser encarado como uma desculpa para engordar alguns quilos.

"Você não pode virar as costas e pensar que não tem problema ficar acima do peso ou obeso. Mesmo que haja esse efeito protetor, você pode não viver o suficiente para se beneficiar dele", disse ele.

Doença cardíaca, infarto, diabete, alguns cânceres e outras doenças estão todas ligadas à gordura na região do abdome.

"Essas novas descobertas são interessantes na medida em que parecem contrariar estudos anteriores ligando obesidade a risco de demência", disse Simon Ridley, um pesquisador britânico de Alzheimer.

"O resultado levanta dúvidas sobre as ligações entre peso e risco de demência. Claramente mais pesquisas são necessárias para entender isso completamente."

A Sociedade de Alzheimer disse que "a diferença de conclusões (nos estudos) ressalta a dificuldade de conduzir estudos sobre riscos de demência relacionados a complexos estilos de vida".

A professora Deborah Gustafson, do hospital e escola de medicina SUNY Downstate Medical Center de Nova York, argumentou que "entender a ligação entre índice de massa corporal e demência ajuda a ver a complexidade de se identificar os riscos e fatores de proteção de demência".

"O relatório de Qizilbash e seus colegas não é a palavra final nesse ponto controverso", disse ela.

Qizilbash afirmou: "Nós concordamos com isso inteiramente".

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