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Franz Burini, PHD em medicina preventiva, alerta sobre os riscos de uma alimentação desregrada e enfatiza: “Magreza será exceção nesse contexto sombrio que se avizinha”

“O que você come em privado, você usa em público”. Parece um mantra e, de fato, deve ser percebido como tal, expõe Franz Burini, PHD em medicina preventiva ao alertar sobre os riscos de uma alimentação desregrada. Mas as críticas de Burini não se limitam apenas ao indivíduo. Elas se estendem aos médicos e até mesmo à internet.

“Temos um conjunto de fatores”, opina o médico. Para ele, a “formação do médico é focada na doença e não na saúde”, o que provoca um desequilíbrio natural no consultório e na condução da vida pela própria pessoa. A internet desestabilizou ainda mais essa relação. “Hoje se a pessoa não se sente satisfeita com a consulta, ela não recorre ao Conselho Regional de Medicina CRM, ela vai ao Procon”. A natureza da relação hoje é puramente comercial e isso afeta negativamente a interação entre médico e paciente, avalia Burini.

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Esse diagnóstico é agravado por um dado alarmante. O mundo vive uma tendência de excesso de peso e isso acarreta diversos danos colaterais à saúde como diabetes, colesterol e problemas cardiológicos. Todos gravitam a obesidade. Apesar dos Estados Unidos ainda serem o país com maior porcentagem de pessoas obesas ou com sobrepeso, o quadro no Brasil é preocupante.

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O último levantamento sobre os hábitos alimentares dos brasileiros, feito em parceria entre o Ministério da Saúde e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que cerca de 60% dos alimentos com maior teor de gordura fazem parte da alimentação diária da população. O estudo mostrou que os homens são mais displicentes do que as mulheres na ingestão de alimentos: 47% dos entrevistados não se preocupam com o teor de gordura do que ingerem no dia a dia. Entre as mulheres, a estatística corresponde a 37%.  O levantamento foi divulgado no fim de 2014.

Burini vê esses números como a confirmação de uma projeção pessimista compartilhada por muitos pesquisadores. O futuro da espécie é obeso. “A magreza será exceção nesse contexto sombrio que se avizinha”, sacramenta. Para o médico, os sinais estão à disposição de quem se predispuser a repará-los.  “Nossos dentes são reflexos de nossa precariedade alimentar”.

Dietas da moda

Ele aponta a diferença entre a dieta do homem paleolítico e a do homem moderno como baliza desse pensamento de que o futuro da humanidade é obeso. “A dieta dos seres humanos pré-históricos era pobre em carboidratos, rica em vegetais, frutas, alguns grãos e dispensava por completo os açúcares”. O oposto da dieta moderna, pobre em vegetais e rica em sal e açúcar. O fácil acesso ao que quer que seja é outro elemento desestabilizador na avaliação do profissional.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda o consumo diário de 5 gramas de sal ou 2 gramas de sódio por dia, mas duas fatias de pizza, por exemplo, já superam a quantidade de sódio recomendável para um dia. Ou mesmo duas latas de atum em conserva.

“As pessoas não têm nem mesmo o hábito de tomar água! Não dá nem sequer para dizer que é ruim. Não tem gosto”, espanta-se Burini ao frisar a necessidade da reeducação alimentar. Acostumado ao trato com atletas, já integrou a comissão técnica da CBF e convive com surfistas e lutadores de MMA. O médico observa que enquanto o atleta quer centralizar a gestão do seu metabolismo, o leigo deseja terceirizá-la. “Ele chega ao consultório e quer que o médico resolva. Mas não quer abrir mão de certos prazeres”. Entre as estratégias lançadas pelos clínicos, confidencia Burini, está pressionar o paciente. “Às vezes, você pode exagerar em uma intolerância ao glúten, à lactose”, se diverte.

“O padrão nutricional consegue prevenir uma das maiores taxas de mortalidade que existe que é o câncer”. Portanto, o quanto antes nos conscientizarmos de que o que comemos não só é fundamental para o nosso agora, mas vital para o nosso futuro, melhor esse futuro será, advoga Burini.

Ele não desencoraja a adoção de dietas da moda, mas alerta que elas são estratégias para alterar nosso metabolismo e que, se não aplicadas com disciplina e longevidade, se provarão ineficazes. “É preciso entender a diferença de uma resposta aguda e uma resposta crônica”, observa ao explicar que é mais satisfatório para o organismo a adesão a um padrão nutricional contínuo e linear do que dietas excessivamente restritivas vez ou outra.

Ele lembra, ainda, que a atividade física é uma conduta terapêutica muito eficiente e que deve ser combinada com hábitos alimentares saudáveis.

* O jornalista viajou a convite da Royal Caribbean

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