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Apesar de o HPV ser conhecido como grande causador do câncer de colo do útero, especialista alerta que doenças com prevalência em homens têm aumentado

Vacina contra HPV masculina está aprovada no Brasil desde 2011
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Vacina contra HPV masculina está aprovada no Brasil desde 2011

O aumento das doenças causadas pelo papiloma vírus humano (HPV) em homens aponta para a necessidade da vacinação também dos meninos, defendeu nesta terça-feira (19) o infectologista Edson Moreira. Esta semana, na capital paulista, o médico participará de um simpósio sobre o tema no 10º Congresso da Sociedade Brasileira de Doenças Sexualmente Transmissíveis e VI Congresso Brasileiro de Aids.

As conclusões apresentadas por Moreira são baseadas em estudo com 3,6 mil homens de todos os continentes, que avaliou o desempenho da vacina contra HPV. Metade dos participantes da pesquisa não recebeu o medicamento, apenas um placebo simulando a imunização. Segundo ele, a partir daí foi possível observar o comportamento da infecção nos homens.

De acordo com o médico, aproximadamente 60% da população masculina adulta está contaminada pelo vírus. Porém, o HPV tende a desenvolver doenças graves com mais frequência em mulheres. Entre o sexo feminino, Moreira estima que quase 10% das adultas apresentam o vírus. “Isso sugere também que os homens funcionam como um reservatório, uma fonte de transmissão para as mulheres”, explicou.

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Apesar de o HPV ser conhecido como grande causador do câncer de colo do útero, o especialista alertou que doenças com prevalência em homens têm aumentado. “Existem cânceres crescendo de frequência, entre eles o do canal anal e o de oro-faringe [boca e garganta]. Nas últimas três décadas, eles quase dobraram de frequência.”

Para Edson Moreira, o HPV é responsável por 5% - 600 mil – dos 13 milhões de novos casos de câncer que surgem por ano em todo o mundo.

Moreira lembrou ainda que as mulheres costumam fazer exames periódicos para detectar doenças como o câncer do colo do útero, o que não ocorre com os homens. “Os cânceres a que nos referimos em homens não têm nenhum tipo de triagem. A única alternativa de proteção é a vacinação”, esclareceu.

Segundo o médico, a vacina contra HPV masculina está aprovada no Brasil desde 2011. A versão para mulheres foi liberada em 2006 e já faz parte do calendário das campanhas de vacinação. “Estudos de custo efetividade mostram que também vale a pena vacinar meninos, não só pela proteção às doenças do sexo masculino. Quando vacinamos meninos, a gente protege também as meninas”, concluiu.

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