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Vírus da dengue tem quatro sorotipos circulando, o que torna mais difícil o tratamento; pesquisa já havia identificado outros anticorpos com boa proteção contra os sorotipos 3 e 4

Descoberta de novo anticorpo é um avanço para produzir uma vacina eficaz no futuro
Rafael Neddermeyer/ Fotos Públicas
Descoberta de novo anticorpo é um avanço para produzir uma vacina eficaz no futuro

Uma pesquisa liderada pela Escola de Medicina de Cingapura Duke-NUS encontrou a penúltima peça para o quebra-cabeça que potencialmente pode vir a curar ou tratar a dengue.  A novidade é muito esperada e bem-vinda, tendo em vista que o vírus da doença infecta cerca de 400 milhões de pessoas em todo o mundo anualmente - e não há ainda uma vacina licenciada disponível para tratá-la.

A professora-adjunta Shee-Mei Lok e o pesquisador Guntur Gibriansah, ambos do programa de doenças infecciosas da Duke-NUS, conduziram o estudo que mostrou como um anticorpo neutraliza o sorotipo 2 do vírus da dengue (DENV-2). A descoberta pode ajudar com o desenvolvimento de terapias contra a doença.

Proteção

O vírus da dengue tem quatro sorotipos (DENV1-4) circulando na natureza, o que torna mais difícil o tratamento. Para ter uma proteção completa contra a infecção, uma vacina teria de, simultaneamente, estimular igualmente uma resposta forte de anticorpos contra todos os sorotipos. Isso, até agora, tem se provado muito difícil, já que as vacinas fornecem diferentes níveis de proteção contra os sorotipos. 

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Nesse trabalho, os pesquisadores demonstraram, em detalhes, como um potente anticorpo derivado de humanos (2D22) pode matar o sorotipo 2 da dengue (DENV-2). Em pesquisas anteriores, eles mostraram que o sorotipo 2 é mais complexo, já que o vírus que o mosquito carrega tem uma estrutura dinâmica que muda sua forma ou morfologia assim que infecta humanos. Isso faz do sorotipo 2 um vírus difícil de matar. Enquanto previamente foi identificado que anticorpos poderiam matar somente o sorotipo 2 de um certo tipo morfológico, esse novo estudo descobriu um anticorpo capaz de matar o sorotipo 2 em todas as suas formas mutantes.

“Enquanto a aplicação de outros tipos mais fracos de anticorpos em ratos foram anteriormente relacionados a um desenvolvimento de mais sintomas graves, o novo anticorpo encontrado nesse estudo não mata somente o sorotipo 2, mas também previne o desenvolvimento de doenças severas estimuladas pelos anticorpos mais fracos. Isso claramente ilustra o potencial de uso desse novo anticorpo para o tratamento da dengue”, disse o professor Lok, em comunicado. O laboratório de Lok já havia identificado, anteriormente, anticorpos que matavam o sorotipo 1 e 3.

A estratégia da professora é desenvolver uma terapia segura combinando quarto anticorpos que inibem a infecção de cada um dos quatro sorotipos da dengue. Seu grupo de pesquisa trabalha, agora, para identificar um anticorpo efetivo contra o sorotipo 4 para completar o conjunto de anticorpos e usá-lo para produzir um coquetel efetivo contra a dengue.

Brasil poderá ter vacina no início de 2016

O laboratório farmacêutico Sanofi Pasteur já submeteu uma vacina contra a dengue para a aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), e a previsão para entrar em circulação é no início de 2016. Segundo informações da empresa, a vacina é a primeira a demonstrar eficácia contra os quatro sorotipos, depois de 20 anos de estudos científicos, que envolveu 25 pesquisas e mais de 40 mil participantes em 15 países. 

O estudo que foi feito em cinco países da América Latina, entre eles o Brasil, avaliou a eficácia da vacina contra a dengue em mais de 20 mil participantes e demonstrou redução de 95% dos casos graves da doença, 80,3% dos índices de hospitalização e eficácia contra 60,3% contra os quatro sorotipos. 

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