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Levando em conta o tempo de uso e a localização geográfica, smartphones conseguem detectar sinais de depressão com 87% de eficácia

Pesquisa pode levar ao monitoramento de pessoas com risco de depressão
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Pesquisa pode levar ao monitoramento de pessoas com risco de depressão

Não adianta tentar fingir um sorriso: o seu smartphone sabe que é puro teatro. Segundo um estudo feito pela Northwestern Medicine e publicado no periódico Journal of Medical Internet Research , os celulares inteligentes conseguem detectar se o usuário está deprimido com base no número de minutos que a pessoa usou o aparelho e na localização geográfica diária dela.

Segundo a pesquisa, quanto mais se usa o smartphone, maior é a propensão da pessoa estar deprimida. A média de uso diário para quem está deprimido gira em torno de 68 minutos, enquanto os que não estão, usam o aparelho por cerca de 17 minutos ao dia.

De acordo com o estudo, ter uma rotina irregular, como ir para o trabalho em horários diferentes a cada dia, também estaria ligado à depressão. Com base nos dados do sensor dos smartphones, os cientistas puderam identificar pessoas com sintomas depressivos com 87% de precisão.

A pesquisa, portanto, pode levar a um monitoramento de pessoas com risco de depressão e ajudar os médicos a intervir rapidamente, evitando o agravamento do quadro. De acordo com os pesquisadores, o smarphone seria mais capaz de detectar a depressão do que perguntas diárias feitas aos participantes do estudo sobre como eles estavam se sentindo, em uma escala de 1 a 10.

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As informações colhidas pelos cientistas, no entanto, não mostram como as pessoas estavam usando seus smartphones. David Mohr, diretor do Centro de Intervenção Comportamental e Tecnológica da Universidade de Northwestern, suspeita que esses usuários dediquem a maior parte do tempo usando a internet ou jogando, em vez de conversar com amigos.

“As pessoas são mais propensas, quando em posse dos seus smarphones, a evitar pensar sobre coisas que as perturbam, sentimentos que machucam ou dificuldades de relacionamento”, disse Mohr, em nota. “É nesse comportamento que percebemos que há depressão”.

Foram analizados as localizações geográficas, por meio de GPS, e o uso do smartphone por 28 indivíduos (20 mulheres e oito homens, com cerca de 29 anos) durante duas semanas. O GPS informava a localização a cada cinco minutos.

Para determinar a relação entre o uso do smartphone e localização geográfica com a depressão, os participantes do estudo tiveram de responder a um questionário-padrão para mensurar o grau de depressão. Esse questionário perguntava sobre os sintomas usados para diagnosticar a doença, como tristeza, perda de interesse e prazer, falta de esperança, distúrbios do sono e perda do apetite, além de dificuldade de concentração.

Com os dados em mãos, os pesquisadores correlacionaram aqueles oferecidos pelos telefones e chegaram ao resultado de que o padrão de uso do smartphone pode, sim, detectar a doença.

De todos os participantes, 14 não apresentaram sinais de depressão, mas os outros 14 tiveram sintomas que variavam de depressão moderada a severa. O objetivo da pesquisa, portanto, é detectar a depressão e diferentes níveis de estados emocionais ligados à doença.

Essas informações, então, podem ser usadas para monitorar pessoas em risco de depressão, passando a informação a médicos.

“Queremos ver se conseguimos reduzir sintomas de depressão encorajando pessoas a visitarem mais lugares durante o dia, terem uma rotina mais regular, dedicarem mais tempo para ficar em lugares diferentes ou reduzirem o uso do smartphone”, diz Sohrob Saeb, condutor do estudo e pós-doutorando da universidade.

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