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Novo estudo faz ligação entre quantidade de gordura que médicos podem retirar e IMC dos pacientes

A lipoaspiração é, há muitos anos, umas das cirurgias mais procuradas nos consultórios (no Brasil, de acordo com dados de 2013, ela ocupa a segunda colocação entre as mais requisitadas). Em boa parte, porque essa parece, para algumas pessoas, um “atalho” para perder peso e medidas de maneira rápida. Mas nem sempre a decisão de fazer o procedimento deve ser, assim, tão ligeira. Um fator em especial deve pesar segundo um novo estudo norte-americano. 

Decisão de se submeter à cirurgia não deve ser tomada às pressas
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Decisão de se submeter à cirurgia não deve ser tomada às pressas

Acontece que, quando se decide pela lipoaspiração, sempre existe aquela primeira dúvida sobre quanto de gordura a equipe médica poderá retirar na operação. A nova pesquisa, divulgada este mês pela Sociedade Americana de Cirurgia Plástica, pretende ajudar a identificar a quantia segura para cada paciente baseando-se no índice de massa corporal, o IMC. 

“Nosso estudo mostra que a lipoaspiração é associada com uma taxa de complicações muito baixa e que as principais complicações ocorrem em menos de 1 em 1.000 pacientes”, diz o cirurgião John Y. S. Kim, da Universidade Northwestern, campus de Chicago. “Mesmo assim, ele põe em pauta a quantidade de lipoaspiração que pode ser realizada com segurança – e que parece depender, em boa parte, do volume de gordura que a pessoa já possui”. 

O estudo define, em resumo, um “limiar” para a retirada da lipo com base no IMC. É uma observação interessante, já que existe uma longa história de debate sobre o volume seguro de tecido adiposo que pode ser removida por esse procedimento. Para a Sociedade Americana de Cirurgia Plástica, as diretrizes atuais definem 5.000 mililitros (cinco litros) como “lipoaspiração de grande volume”, potencialmente associada a um maior risco de complicações. Mas até agora as orientações reconheciam que não havia dados científicos para apoiar um ponto de corte absoluto. 

Para a pesquisa, o doutor Kim e seus colegas analisaram dados de mais de 4.500 pacientes de lipoaspiração extraindo informações do banco de dados da Sociedade. Eles avaliaram a relação entre o volume e a complicação da lipoaspiração – analisando aí, entre outros dados, os IMCs de cada pessoa. 

A taxa global de complicações foi de 1,5 por cento. De longe, a complicação mais comum foi a coleta de líquido (seroma) requerendo drenagem. O volume médio de lipoaspiração foi cerca de dois litros. 

Os pacientes com maiores complicações tinham volumes de lipoaspiração médio de 3,4 litros e IMC mais elevados. Pacientes submetidos a grande volume lipoaspirado de mais de 5 litros tiveram uma taxa de complicação global superior: 3,7%. 

Houve também uma interação significativa entre o volume de lipoaspiração e IMC: curiosamente, quando os pacientes com maior IMC apresentaram maior volume de lipoaspiração, a taxa de complicações foi, na verdade, um pouco menor. 

“Em outras palavras, os pacientes obesos podem tolerar volumes lipoaspirado maiores sem um aumento do risco de complicações", disseram os pesquisadores. Em contrapartida, pacientes com IMC inferior podem experimentar aumento exponencial do risco se forem retirados volumes mais elevados na lipoaspiração. Essa relação entre o pré-existente teor de gordura e volumes seguros de retirada não tinha sido avaliada anteriormente. 

O doutor John Kim enfatizou que isso mostra um limite relativo onde as complicações começam a aumentar, mas não implica um limite absoluto sobre os volumes de lipoaspiração. Outras considerações, como a duração da cirurgia, outros procedimentos realizados e estado geral de saúde do paciente também são importantes ao avaliar o risco lipoaspiração.

“O bom é que nossa ferramenta de avaliação de risco com o IMC pode auxiliar ainda mais na tomada de decisão entre o cirurgião e o paciente”, finaliza.

Fonte: Coração & Vida

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