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Feito inédito aconteceu por meio de estimulação cerebral que mandava sinais elétricos para os joelhos, fazendo com que eles se movessem

Um homem que havia sofrido um acidente que lesionou a medula espinhal pode caminhar novamente usando o poder do cérebro, de acordo com um estudo publicado  nesta quinta-feira (24) no periódico científico Journal of NeuroEngineering and Rehabilitation. O estudo preliminar mostrou que é possível usar diretamente o controle do cérebro para fazer com que um paraplégico possa voltar a caminhar.

Paraplégico de identidade não revelada consegue voltar a caminhar por meio de neuroestimulação
Divulgação/BioMed Central
Paraplégico de identidade não revelada consegue voltar a caminhar por meio de neuroestimulação

Essa foi a primeira vez que uma pessoa com paralisia completa nas duas pernas (paraplegia) devido a uma lesão medular conseguiu andar sem a ajuda de robôs ou outros equipamentos, como já havia sido demonstrado em outras ocasiões.

O participante do estudo, de identidade não revelada, está paralítico há cinco anos e conseguiu caminhar 3,66 metros usando um sistema baseado no eletroencefalograma (EEG). O sistema envia os sinais elétricos do cérebro do rapaz para os eletrodos instalados ao redor dos joelhos, criando o movimento. 

“Mesmo depois de anos de paralisia, o cérebro ainda consegue gerar robustas ondas cerebrais que podem ser aproveitadas para ativar essa forma básica de caminhar. Nós mostramos que é possível restaurar uma forma de caminhar intuitiva e controlada pelo cérebro mesmo depois de uma lesão medular completa”, diz o pesquisador condutor do estudo, An Do, da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos.

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“Esse sistema não invasivo para estimulação muscular das pernas é um método promissor e está à frente dos atuais sistemas de controle cerebral que usa realidade virtual ou exoesqueletos”, diz.

Um treino mental foi necessário no começo para reativar a habilidade de marcha do cérebro. Sentado e usando um capacete de eletroencefalograma para ler as ondas cerebrais, o participante do estudo treinou controlar um avatar em um ambiente de realidade virtual. Ele também precisou de treinamento físico para recondicionamento e fortalecimento dos músculos da perna.

Antes de ir para o solo, o participante caminhou suspenso do chão, para que pudesse mover as pernas livremente sem de ter de carregar o peso do seu próprio corpo. Depois de 20 vezes treinando desta maneira, ele colocou à prova essas habilidades tentando mover-se no solo, e usou um sistema que amparava seu peso para prevenir quedas.

Depois de 19 semanas de teste, ele conseguiu manter um controle maior e fazer mais testes cada vez que chegava ao local de treinamento .

O estudo envolveu apenas um paciente, então mais estudos são necessários para estabelecer se esses resultados são aplicáveis a uma população de indivíduos com paraplegia.

Zoran Nenadic, outro condutor do estudo, disse que uma vez que a usabilidade desse sistema não invasivo for confirmada, é possível estudar formas invasivas, como implantes cerebrais.

“Esperamos que um implante possa atingir um nível ainda melhor de controle porque as ondas cerebrais são gravadas com uma qualidade ainda maior. Além disso, um implante do gênero poderia levar as sensações de volta ao cérebro, permitindo que o usuário sinta suas pernas”, completa.

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