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Biscoitos, bolachas, bolos, refrigerantes e sucos artificiais estão presentes na alimentação de crianças com menos de dois anos

As guloseimas entram cada vez mais cedo no cardápio infantil. É o que aponta a Pesquisa Nacional de Saúde, realizada pelo Ministério da Saúde em parceria com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). De acordo com o estudo, biscoitos, bolachas e bolos fazem parte da alimentação de 60,8% das crianças com menos de dois anos de idade no Brasil.

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Já os refrigerantes e sucos artificiais estão no cardápio de 32,3%. Esse percentual aumenta nas regiões de maior renda do país, como Sul (38,5%), Centro­- Oeste (37,4%) e Sudeste (34,2%).

Consumo excessivo de alimentos açucarados está relacionado aos crescentes índices de excesso de peso
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Consumo excessivo de alimentos açucarados está relacionado aos crescentes índices de excesso de peso

Os dados preocupam, à medida que os hábitos alimentares são formados ainda na infância e o consumo excessivo deste gênero alimentício está relacionado aos crescentes índices de excesso de peso.

“É inquestionável a importância da alimentação da criança nessa fase. Deficiências nutricionais ou condutas inadequadas quanto à prática alimentar podem elevar a morbimortalidade infantil, além de deixar sequelas, como retardo de crescimento, atraso escolar e desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis”, enfatiza Michele Lessa, coordenadora de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde.

O consumo de alimentos não nutritivos está associado à anemia, às alergias alimentares e ao excesso de peso, que pode desencadear diversas doenças como: hipertensão, diabetes, colesterol alto, doenças cardiovasculares, câncer, distúrbio do sono, entre outras. Além disso, crianças obesas têm 50% de chance de se tornarem adultos obesos. Atualmente, 44 milhões de crianças com menos de cinco anos estão acima do peso ideal e cerca de um terço da população entre cinco e nove anos sofre do mesmo mal.

>> Veja a quantidade de açúcar em alguns alimentos:

A Pesquisa Nacional de Saúde Estudo do Ministério da Saúde, realizada em parceria com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, ouviu 64 mil domicílios em 1.600 municípios de todo o país entre agosto de 2013 e fevereiro de 2014.

Educação alimentar

Segundo o nutrólogo e pediatra do Hospital Israelita Albert Einstein, Artur Delgado, a escolha por alimentos calóricos e pobres nutricionalmente na dieta dos pequenos ocorre devido a uma série de fatores: pais e mães que trabalham fora e se rendem à praticidade dos industrializados, maior disponibilidade e oferta de produtos nas gôndolas do supermercado, forte publicidade dirigida às crianças e a falta de clareza e informação aos pais.

Responsáveis pelas primeiras experiências da criança, o comportamento dos pais é decisivo na escolha dos alimentos. “Às vezes, é necessário uma mudança em toda a rotina alimentar da casa”, destaca o especialista.

A escola, segundo Delgado, também é um lugar de aprendizado e deveria ser um espaço onde a própria família também aprenda com a experiência vivida pelos filhos com relação à educação alimentar.

“As instituições de ensino devem exercer o seu papel educador e oferecer às crianças aulas de nutrição, com cursos práticos para que crianças conheçam o alimento que consomem”, frisa.

Um bom exemplo de como uma alimentação pode ser saudável e atrativa acontece na casa da pequena Lia, de apenas um ano e quatro meses. Cientes da importância do papel da família na formação do paladar da criança, os pais envolvem a pequena em todo o processo alimentar, desde a ida ao hortifrúti até o preparo das refeições.

“A criança aprende os bons e os maus hábitos que temos. A educação do paladar dela faz parte do processo educacional da criança. E quanto maior a diversidade alimentar, maior o seu aprendizado", afirma a mãe da criança, a cineasta Fernanda Sarkis.

Para despertar o interesse da cria, Fernanda abusa da criatividade e prepara diversos pratos diferentes: gelatina de cenoura, abacate com cacau, brigadeiro de batata doce. Apesar de todo o cuidado com o que vai ao prato da criança, a mãe sabe que a alimentação é um evento social e, portanto, sujeita a outras referências.

"Não podemos criar um ET em um mundo onde tudo é restrito ou perigoso, mas é preciso encontrar um equilíbrio, onde a alimentação seja a mais natural possível”, pondera.

Fonte: Site Coração & Vida (coracaoevida.com.br)

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