Tamanho do texto

“Outubro Rosa” reforça importância de prevenir a doença que mais mata mulheres no Brasil

Você provavelmente já ouviu falar na campanha “Outubro Rosa”, que todos os anos ilumina prédios e monumentos no Brasil para conscientizar a população sobre a luta contra o câncer de mama. Diversas ações estão programadas neste mês para alertar a sociedade sobre a doença.

Em São Paulo, o parque do Ibirapuera receberá uma roda gigante iluminada com a cor rosa, além de uma tenda com vídeos explicativos e a presença de um médico para tirar dúvidas sobre o câncer de mama. Já no Rio de Janeiro, o teleférico do Morro do Alemão será iluminado com a cor símbolo da ação pelo terceiro ano consecutivo.

A cada ano, 57 mil novos casos são registrados
Thinkstock Photos
A cada ano, 57 mil novos casos são registrados

O câncer de mama é hoje o tipo de câncer que mais mata mulheres no Brasil. A cada ano, 57 mil novos casos são registrados. Durante a campanha do “Outubro Rosa”, mulheres são estimuladas a realizar exames e a entender melhor a doença, principalmente para desfazer os mitos que cercam o câncer de mama e alertar para a importância do diagnóstico precoce.

“Com o diagnóstico precoce, a gente consegue tratar a doença de forma menos agressiva e diminuímos a reincidência dela. Se a mulher tiver um nódulo de grandes dimensões, este pode voltar e até atingir outros órgãos”, explica o mastologista Sergio Masili, médico do Instituto do Câncer do Hospital das Clínicas de São Paulo.

A partir dos 40 anos, a mulher deve procurar um especialista para realizar anualmente uma mamografia. O exame tem a capacidade de detectar tumores ainda na sua fase inicial e permitir que as mulheres portadoras do câncer possam iniciar o tratamento o quanto antes.

A realização periódica desse exame é importante porque se trata de uma doença silenciosa, que só se mostra quando em estado avançado. 

“Infelizmente, a doença só vai se manifestar quando o nódulo tem de 1,5 a 2 centímetros de diâmetro, o que indica que o câncer deve estar instalado há algum tempo no organismo”, lamenta o especialista.

Os sintomas podem variar e alguns só aparecem muito tarde. Além dos nódulos, podem ocorrer a retração de mamilo, o aumento da temperatura do seio, vermelhidão e o aparecimento de uma secreção.

A mamografia é capaz de detectar um tumor de apenas 1 milímetro de diâmetro, daí a importância do exame no diagnóstico precoce. Se descoberto nessa fase, a chance de cura é de até 97%, em alguns casos.

O autoexame também tem seu papel na detecção precoce da doença, principalmente antes dos 40 anos.

Sergio Masili recomenda que, além de se consultar anualmente com um ginecologista, a mulher faça o autoexame das mamas em casa, uma vez por mês, logo após a menstruação, que é quando o seio está em seu tamanho normal.

“É uma técnica bastante simples. A mãe pode mostrar para a filha como examinar sua mama desde que ela começa a menstruar, para que ela tenha ideia de como é o seu seio. À medida que ela vai envelhecendo, pode apalpar a mama no próprio banho, com sabão, sempre após a menstruação. Tanto faz qual o sentido, horário ou anti-horário. É importante também apalpar a axila e que ela olhe a mama no espelho para ver se nota feridas ou manchas diferentes”, explica o especialista, enfatizando que o autoexame isolado perde seu valor após a mulher completar 40 anos.

Prevenção

Infelizmente, a medicina ainda não dispõe de vacinas ou de um arsenal de medicamentos e terapias para a prevenção da doença. No entanto, é possível eliminar alguns fatores de risco, como o consumo excessivo de bebida alcoólica e o uso de reposição hormonal sem controle. 

“A dieta rica em gordura, o sobrepeso e a obesidade também são fatores de risco importantes”, diz o médico do Instituto do Câncer.

A gravidez e a amamentação também reduzem o risco de incidência do câncer na mama. Segundo a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), cada ano de amamentação completa diminui de 3 a 4% o risco de a mulher desenvolver o câncer de mama.

A explicação é que, durante a gestação e o aleitamento, o tecido mamário sofre alterações que aumentam a funcionalidade da célula. Sendo assim, mulheres que tiveram um maior número de gestações e/ou períodos de amamentação mais longos estariam mais protegidas.

Uma pesquisa em curso nos Estados Unidos aponta que o hormônio chamado gonadotrofina coriônica, presente na placenta, pode servir futuramente de base para o desenvolvimento de algum tipo de remédio para prevenir o câncer mamário.

O pesquisador argentino José Russo, do Fox Chase Cancer Center, testou a substância em animais e descobriu que houve alteração no tecido mamário para algo semelhante ao de uma mulher grávida ou lactante.

Fonte:  Site Coração & Vida (coracaoevida.com.br)

Leia mais sobre saúde

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.