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Nada é tão eficaz quanto um banho com água e sabão, mas especialistas explicam se é um risco à saúde passar um dia sem ele, caso seja impossível tomar uma ducha

São Paulo passa por um período crítico de falta de água. Cortes no abastecimento são relatados por muitos paulistanos que chegam em casa depois de um dia de trabalho e não encontram uma única gota de água na torneira. O que fazer, então, para se manter o mais limpo possível e dormir tranquilo sem um revigorante banho?

Apesar de parecer nojento, ficar um dia ou dois sem banho não é garantia de pegar alguma infecção ou doença grave.

Ficar um ou dois dias sem banho não mata ninguém, dizem infectologistas; maior cuidado deve ser com a higiene das mãos
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Ficar um ou dois dias sem banho não mata ninguém, dizem infectologistas; maior cuidado deve ser com a higiene das mãos

“Eu estaria sendo leviana se dissesse que ficar sem tomar banho por um dia ou dois poderia causar uma infecção grave e levar à morte. Não existe nada descrito na literatura médica que ficar determinados dias sem banho pode causar infecção. Muitos países têm cultura de tomar poucos banhos, se causasse infecções, eles já teriam tido”, diz Daniella Provençano Borghi, infectologista do Hospital São Francisco na Providência de Deus, no Rio de Janeiro.

“A falta de água propicia um monte de situações graves, mas a falta de banho por um curto período, não”, diz ela.

Limpe as mãos

No entanto, especialistas são unânimes: a preocupação deve se concentrar na limpeza das mãos. É a partir dela que os vírus e bactérias são transmitidos, aqueles microrganismos que causam diarreia, gripe, resfriados ou qualquer outro problema de saúde.

“Se você não consegue tomar banho, que dirá lavar as mãos! A mão é um grande veículo de disseminação de bactérias. A melhor forma de diminuir a possibilidade de transmissão, mesmo sem lavá-las, é usar o álcool em gel”, explica a infectologista.

“Estudos mostraram que lavar a mão com água e sabão ou usar álcool em gel resultam na mesma eficácia”, diz a médica. No entanto, ela não recomenda que se use o álcool em outras partes do corpo. “Se passar nas axilas, pode arder, pode dar irritação. Não recomendaria álcool em gel nas áreas mais sensíveis”, diz.

Cuidado com álcool em gel

A dermatologista membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, Carolina Marçon, reafirma que o álcool em gel não deve ser usado em todo o corpo.

“A orientação é usar quando não tem outro jeito, não tem como usar água. Mas o álcool, o triclosan e outros antissépticos têm capacidade irritativa grande, principalmente em pessoas com pele sensível, ressecada”, diz.

“O uso crônico, todos os dias, vai criando uma sensibilização e pode causar uma reação alérgica”, diz ela.

Odor e suor

Para aquele desconforto causado pelo suor e odor, os lencinhos umedecidos, daqueles usados em bebês, podem dar conta do recado e amenizar a sensação ruim de “sujeira”.

Segundo ela, o padrão-ouro de limpeza é e sempre será o banho com água e sabão. No entanto, ela acalma os impedidos de tomar banho e diz que um banho diário morno para frio, usando sabonete neutro somente nas áreas de maior proliferação de bactérias, como axilas, genitália e pés já é suficiente.

“Temos que tomar banho suficiente para eliminar a sujeira, como a poluição, o pó, o suor, as bactérias do ambiente. O acúmulo de secreções na pele é maléfico, mas é preciso saber removê-lo sem destruir a camada hidrolipídica da pele”, diz ela.

Gordura na pele é bom!

Essa camada, segundo Carolina, é um manto de gordura produzido pela própria pele, que mantém a hidratação adequada, como se fosse uma barreira.

“Esse componente não pode ser eliminado no banho. Quando se toma muitos banhos, ou banhos com água quente, bucha, sabonetes agressivos, acaba-se destruindo esse manto lipídico, a pele fica mais ressecada, aumenta a chance de penetração de alérgenos, a pele fica mais reativa e pode dar infecção”, detalha.

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