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Charlotte tinha fibrose cística e precisava de um transplante de pulmão para sobreviver; hoje ela vive uma vida normal

Quando Charlotte Davies tinha três semanas de vida, foi diagnosticada com fibrose cística, uma doença genética que afeta principalmente os pulmões e sistema digestivo. Ainda recém-nascida, pegou uma bactéria que causa uma pneumonia difícil de tratar. Conseguiu sobreviver. Aos 14 anos, no entanto, começou a sofrer com mais problemas decorrentes da doença. Os pulmões da garota, hoje com 21 anos, estavam espessos e cheios de muco.

Hoje com 21 anos, Charlotte leva uma vida normal; antes do transplante, não conseguia andar poucos metros
Reprodução/Daily Mail
Hoje com 21 anos, Charlotte leva uma vida normal; antes do transplante, não conseguia andar poucos metros

Por causa das infecções frequentes, o principal órgão do sistema respiratório de Charlotte estava completamente danificado e, para sobreviver, ela precisava ficar ligada a um suporte de oxigênio 24 horas por dia. Um elevador teve de ser instalado na casa dela porque ela não conseguia subir escadas, por insuficiência respiratória. As informações são do jornal DailyMail.

"Eu me treinei para ir ao banheiro apenas quando eu acordava de manhã e ia dormir, à noite", conta ela, ao jornal. "O esforço de caminhar alguns passos do sofá até o banheiro me 'nocauteava' pelo resto do dia". 

Aos 16 anos, Charlotte teve uma crise fortíssima que a obrigou ficar internada na UTI. Soube, então, que precisava urgentemente de um transplante de pulmão.

Ela teve alta e foi para casa esperar por um doador compatível. "Eu dependia da minha família para fazer tudo. Foi um tempo muito solitário", conta ela. "Eu me senti abandonada pelos meus amigos, que pareciam não se importar. Eu estava morrendo e eles fingiam que não estava acontecendo nada". 

A espera por um doador compatível foi angustiante para Charlotte. "Todo dia eu acordava e pensava. É isso? Será que meu transplante vai acontecer hoje?".

Antes do transplante, Charlotte precisava de respirador artificial, já que seus pulmões estavam danificados
Reprodução/Daily Mail
Antes do transplante, Charlotte precisava de respirador artificial, já que seus pulmões estavam danificados

O dia tão esperado chegou. Charlotte recebeu a ligação de que havia um pulmão de uma mulher de 36 anos a esperando. 

"Eu não conseguia imaginar o que aquela família estava passando, mas em meio ao choque pela aflição da perda, quando perguntaram se doariam os órgãos dela, eles foram generosos e disseram sim. Por causa disso, minha vida foi salva", conta Charlotte. 

A cirurgia durou cinco horas. Quando terminou, ela foi mantida sedada e com respiração artificial. No dia seguinte, no entanto, seus novos pulmões estavam funcionando tão bem que os aparelhos foram retirados e ela pôde respirar sozinha pela primeira vez. 

"Eu nunca vou esquecer isso. Parecia o meu primeiro fôlego de vida". conta ela. "Foi um sentimento eufórico e indescritível. Eu estava muito grata de estar viva e preenchendo meus novos pulmões com ar". 

Em menos de 48 horas depois da cirurgia, Charlotte voltou para o quarto, sem necessidade do respirador artificial. 

Hoje, com 21 anos e já na universidade, Charlotte tem um carinho especial pela sua doadora. "Eu acendo uma vela para ela no aniversário do meu transplante, e no natal essa vela fica na mesa conosco. Ela está sempre em meus pensamentos", disse ela, ao DailyMail. 

Charlotte escreveu uma carta para a família da doadora para agradecê-los, por intermédio do coordenador de transplantes. 

"Hoje sou capaz de andar, de subir escadas ou de fazer uma xícara de chá. Como você começa a agradecer alguém que te deu a vida de volta?"

Ela conta que a decisão da família enlutada definiu a própria vida. "Se eles não tivessem tomado a decisão de doar, eu não estaria aqui hoje". 

A expectativa de vida de portadores de fibrose cística atualmente passa dos 30 anos. Sem um transplante de pulmão, no entanto, eles não sobrevivem mais do que 20 anos. 

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