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Mayara Gromboni teve o primeiro tumor aos 7 anos e já somava 11 cirurgias até o ano passado. "Apesar dos sustos, não deixo me abater por qualquer coisa"

Na conversa por telefone, Mayara Gromboni, jovem de 19 anos, que mora em Jaú, interior de São Paulo, mostra-se uma jovem com planos de entrar para a faculdade de Medicina, que quer logo voltar ao cursinho e de bem com a vida. Nem parece que o papo aconteceu enquanto a garota preparava-se para mais uma sessão de quimioterapia. 

Mayara Gromboni
Arquivo pessoal
Mayara Gromboni


Mayara teve o primeiro câncer, um linfoma, aos 7 anos. Ela fez tratamento de radio e quimioterapia e melhorou. Entretanto, os tumores continuaram aparecendo e, em muitos casos, foram necessárias várias cirurgias. "Tive na cervical, na escápula, na axila, na mama, na drenal, no rim e na coxa. De 2003 até o ano passado foram 11 cirurgias. Retirei 23 tumores", enumera a jovem. 

Em 2007, depois de uma bateria de exames em São Paulo, Mayara descobriu a causa de tantos tumores. Ela é portadora da síndrome de Li-Fraumeni, condição genética rara que leva ao aumento da predisposição do desenvolvimento de cânceres. A síndrome veio do pai de Mayara, que morreu em 2005 depois de um tumor no rim. Marcelo, irmão mais velho da garota, já teve um tumor no cérebro. 

"O tumor dele era muito complicado, mas ele fez quimio oral e radioterapia e está super bem. Dizem que foi um milagre e acho que foi mesmo", diz Mayara. E é assim que a jovem encara a doença, com alto astral. Nem comentar sobre os próprios tumores a abala. "Está no meu gene, não tem como mudar. Então, temos que continuar lutando." 

Mayara teve o primeiro câncer, um linfoma, aos sete anos
Arquivo pessoal
Mayara teve o primeiro câncer, um linfoma, aos sete anos


Tumores no braço

Mayara diz também que nunca tinha sentido dor nos locais dos tumores. Em outubro de 2014, durante um exame, sentiu muita dor no braço direito com a picada da agulha. "Comentei o que estava sentindo, mas estava frio e estava com blusa e nem reparei no braço. Fui para o cursinho e, quando tirei a blusa, me assustei. Tinha um caroço", lembra. 

"Até esperei bastante para mandar mensagem para o médico, uns 25 dias. Fizeram uma biópsia e, quando veio o resultado, o médico disse que teria de operar. Mas quando abriram o meu braço, viram que era maior do que pensavam e cortaram em três pedaços. O médico disse: 'Não vou continuar te mutilando, quero que faça radio'". 

Mayara Gromboni
Arquivo pessoal
Mayara Gromboni


Foram 32 sessões de radioterapia e Mayara estava bem até o começo do ano, mas a dor no braço voltou. "Também estava inchado. Foram cinco dias de remédios e anti-inflamatório e não adiantou. Tive de operar de novo, mas cortaram um pequeno nervo e fiquei um tempo sem movimentos da mão e punho. Depois, apareceram três novas lesões e, com uma nova cirurgia, corria o risco de perder definitivamente os movimentos de mão e do cotovelo", conta. 

Financiamento coletivo para o tratamento

A saída era uma quimio localizada, já que o tratamento regular pode, a longo prazo, induzir a novos tumores por conta da síndrome. O tratamento custaria R$ 20 mil e a solução foi buscar financiamento coletivo e doações pela internet com a campanha #TodosAjudamMayara

Mayara vive uma vida de adolescente normal e tenta encarar com otimismo a síndrom
Arquivo pessoal
Mayara vive uma vida de adolescente normal e tenta encarar com otimismo a síndrom

"Na hora que fiquei sabendo, foi um susto. Mandei uma mensagem para meu grupo de amigos e eles tiveram a ideia da campanha. Logo depois, já colocamos o site no ar e deu muito certo. Recebi ajuda até de fora do Brasil", diz a jovem. Mayara arrecadou o valor em uma semana, mas a campanha continua. Até agora, ela já soma R$ 26 mil. 

"Essa quimio necrosa o tumor e a chance de cura é de 80%, por isso a gente lutou tanto. E o que sobrar do dinheiro vai para a minha mãe, que precisa me acompanhar aqui em São Paulo durante o tratamento. Também posso fazer uma reserva". 

Mayara conversou com a reportagem um dia antes da quimioterapia, na semana passada. Na segunda-feira (23), em um novo papo depois da alta, ela disse que está bem e, se os tumores estiverem mesmo necrosado, ela precisará passar por uma cirurgia mais simples, para retirar o que restou. 

Faculdade de medicina

A jovem se mantém positiva: "Apesar dos sustos, não me deixo abater por qualquer coisa. Prefiro continuar sorrindo e vamos juntos que tudo vai dar certo". 

Mayara já estudou e leu muito sobre sua síndrome. Ela fala como uma médica sobre o assunto. E, logo logo, pretende realmente se tornar uma. "Estou estudando para isso. Faltei ao cursinho nas últimas semanas, mas logo vou voltar. Sempre falei que queria estudar medicina e sempre me disseram para escolher outra coisa, que isso iria me cansar muito. Mas é o que quero. Quero ajudar as pessoas." 

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