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Juiz aceitou argumento de que vida de mulher de 50 anos girava em torno de 'aparência, homens e bens materiais' e permitiu que ela recusasse tratamento que salvaria sua vida

Uma mulher que rejeitou um tratamento médico que salvaria sua vida, alegando que tinha perdido o "brilho" e não queria ficar "velha" e "gorda", morreu na Grã-Bretanha.

A britânica de 50 anos, identificada apenas com a inicial "C", estava no centro de um caso polêmico correndo em uma corte especial (Court of Protection, "Corte de Proteção", para casos que envolvem pessoas incapazes de ou que não querem responder por si mesmas) na justiça britânica.

Britânica tinha pânico de envelhecer
Thinkstock/Getty Images
Britânica tinha pânico de envelhecer

No mês passado um juiz desta corte determinou que ela poderia recusar a diálise que fazia para manter a função renal.

O advogado que representa uma das filhas de C informou que a mulher morreu no sábado.

C danificou os próprios rins depois de tomar uma overdose em uma tentativa de suicídio. Ela se recusava a fazer diálise.

A Justiça britânica tinha que decidir se ela estava com capacidade mental para se recusar a passar pelo tratamento.

Durante o julgamento foi dito que a vida de C sempre girou em torno "da aparência, homens e bens materiais".

"'Recuperação' para ela não está relacionada apenas à função renal, mas também recuperar o 'brilho' (a vida social cara e orientada pela beleza), que ela acredita estar velha demais para reconquistar agora", disse uma das filhas da mulher durante o julgamento.

Câncer de mama

Em 2014, C foi diagnosticada com câncer de mama, mas se recusou a receber tratamento afirmando que "ficaria gorda".

A britânica tinha acabado de sair de um relacionamento longo, estava endividada e tinha tentado o suicídio.

A tentativa de suicídio causou problemas graves em seus rins. Mas, com diálise, os médicos previam que ela poderia se recuperar.

O hospital de Londres onde ela fazia o tratamento, o King's College Hospital NHS Foundation Trust, queria obrigar C a passar pela diálise alegando que a mulher tinha uma "disfunção da mente", o que significava que ela não poderia tomar esta decisão sozinha.

Mas a Justiça rejeitou o pedido do hospital afirmando que C era "soberana" do "próprio corpo e mente" e, por isso, tinha o direito de tomar esta decisão.

O juiz reconheceu, entretanto, que muitas pessoas ficariam horrorizadas com o comportamento de C e que a decisão de recusar o tratamento poderia ser descrita como "insensata" ou mesmo "imoral" por alguns.

A decisão da Justiça britânica foi tomada no dia 13 de novembro e foi divulgada a informação de que C morreu 15 dias depois.

A Justiça também determinou que C não poderia ser identificada e deve permanecer no anonimato depois de morrer.

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