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Dor de cabeça incapacitante é um dos sintomas dessa doença que pode ser tratada por um neurocirurgião

Você fez uma ressonância magnética e resolveu dar uma espiada no laudo do resultado do exame antes de levar o médico: vê escrito que você está com um pseudotumor cerebral. À primeira vista parece assustador e você imagina que está com câncer. Acalme-se, não é nada disso.

Acalme-se: pseudotumor cerebral não é um tumor e tampouco um câncer
Thinkstock/Getty Images
Acalme-se: pseudotumor cerebral não é um tumor e tampouco um câncer

Atualmente, em vez de pseudotumor cerebral, preferimos utilizar o termo Hipertensão Intracraniana Idiopática. Existem, no entanto, médicos que ainda utilizam esta nomenclatura mais antiga. Portanto, se recebeu este diagnóstico ou se ele veio escrito no laudo de sua Ressonância, não se assuste… Não tem nada a ver com tumor.

E que quadro clínico é esse? É um quadro caracterizado por dor de cabeça (cefaléia) de forte intensidade, náuseas e vômitos e alterações (usualmente turvação) visuais. A dor frequentemente localiza-se na região frontal e piora quando o paciente se abaixa. Outros sintomas tais como zumbido, alteração de comportamento ou tontura podem também ocorrer.

O nível de consciência, no entanto, permanece normal. No exame neurológico usualmente se identifica edema de papilas ou paralisia do VI par craniano. Os exames de imagem (tomografia e ressonância magnética) usualmente revelam ausências de lesões que produzam efeito de massa e ausência de hidrocefalia, apesar do quadro clínico.

O exame de líquor usualmente evidencia hipertensão liquórica, com celularidade e glicose normal. Alguns grupos, como o da Universidade de Ohio, pesquisam as possíveis bases genéticas desta doença , para, no futuro, fazer uma possível triagem e tratamento mais precoces.

O tratamento pode ser clínico ou cirúrgico. Usualmente tentamos primeiramente o tratamento clínico, que consiste em utilizar medicações que reduzam a produção de líquor e, com isso, a pressão intracraniana. Assim, medicamentos como a acetazolamida ou corticoesteróides podem ser utilizados, com orientação médica.

Pacientes que não melhorem com o tratamento, no entanto, podem ser submetidos a uma pequena cirurgia, a derivação lombo-peritoneal. Nesta cirurgia um catéter é introduzido através de um pequeno corte na região lombar e drena continuamente o liquor para a cavidade abdominal, aonde se localiza sua outra extremidade.

Como se vê, trata-se de uma doença benigna, facilmente tratável pelo neurocirurgião mas que, se não tratada, pode levar a dor incapacitante.

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Arquivo pessoal
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Se você se vê acometido por uma dor de cabeça nas condições descritas acima e tem exames de imagem normal, procure um neurocirurgião para uma consulta que poderá estabelecer ou afastar este diagnóstico.

*Dr Paulo Porto de Melo é neurocirurgião formado pela UNIFESP, especialista em Neurocirurgia pela Sociedade Brasileira de Neurocirurgia e colaborador do Departamento de Neurocirurgia da Universidade de Saint-Louis (EUA).

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