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Modelo Raquel Santos, finalista do Musa do Brasil , morreu depois de fazer um procedimento estético

A morte da modelo Raquel Santos, finalista do Musa do Brasil, nesta semana reabriu um debate sobre a busca pelo corpo perfeito e os procedimentos para conseguir as curvas dos sonhos. Raquel, de 28 anos, faleceu na noite de segunda-feira (11) após fazer um procedimento estético de preenchimento do bigode chinês (linhas de expressão que vão do nariz ao canto da boca), no Rio de Janeiro.

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Raquel Santos morreu nesta semana depois de fazer um preenchimento no rosto
Divulgação
Raquel Santos morreu nesta semana depois de fazer um preenchimento no rosto


Entretanto, Wagner Moraes, médico responsável pelo preenchimento, negou relação do procedimento com a morte da modelo em entrevista ao iG . A reportagem do iG Saúde conversou com especialistas para entender os riscos desse tipo de preenchimento. 

"Os riscos [do ácido hialurônico] normalmente são mínimos. É raríssimo haver reação alérgica. O que pode ocorrer é edema (inchaço) e dor no local, jamais risco de morte", afirma o cirurgião plástico Sandro Lemo, mestre em cirurgia plástica pela Universidade de São Paulo. 

Também de acordo com a cirurgiã plástica Ivanoska Filgueira, a operação de preenchimento facial dificilmente levaria a uma parada cardíaca. É um procedimento simples, que em muitos casos não precisa de anestesias. Para ela, a grande parte das complicações em cirurgias plásticas acontecem quando o paciente omite do médico informações pessoais, como uso de suplementos alimentares, anabolizantes e até anticoncepcionais.

“O anabolizante reage com a anestesia, o anticoncepcional faz crescer risco de trombose durante a cirurgia, e cigarro de necrose”, enumera a Ivanoska. 

Quais os tipos de preenchimento?

O bigode chinês pode ser corrigido com ácido hialurônico, gordura autóloga (da própria paciente) ou metacrilato, segundo Lemos. 

"O ácido hialurônico é uma substância sintetizada a partir de uma que existe no próprio corpo humano, por este motivo é o mais seguro, além de ter efeito temporário", explica o cirurgião.

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A mais letal das doenças mentais

"Já a gordura da própria paciente deve ser injetada com cautela, pois tem efeito permanente e caso a paciente não goste é necessário uma cirurgia para retira-la. Além disso há casos em que o corpo reabsorve totalmente a gordura e a paciente não vê resultado", alerta o especialista.

"E o metacrilato tem seu uso controverso, pois é uma substância que pode ser instável e quando isso ocorre gera complicações importantes no local e até a necessidade de retirada através de cirurgia, podendo deixar sequelas permanentes", completa.

Uso de anabolizantes

O médico que fez o procedimento na modelo disse ainda que Raquel aplicava "bomba animal na coxa, fumava muito e precisava de remédio para ajudar na respiração". O cirurgião Sandro Lemos também explica os males do uso de anabolizantes. 

Raquel Santos, finalista Musa do Brasil
Reprodução/Instagram
Raquel Santos, finalista Musa do Brasil


A substância usada por Raquel seria o potenay, uma mistura de vitaminas para animais usada como anabolizante porque contém uma anfetamina potente. "Não é indicada para o uso em seres humanos. Esta substância até já foi usada no passado para tratamento psiquiátrico e como descongestionante nasal", diz o médico. 

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"O uso deste medicamento foi proibido em seres humanos pois não é seguro, uma vez que não há controle sobre o quanto a pressão arterial e os batimentos cardíacos podem aumentar. Pode causar aumento da pressão arterial (hipertensão) e em pessoas com propensão pode causar arritmias e infarto do miocárdio", explica Lemos. 

Pré-treinos e termogênicos e as cirurgias

Outros fatores podem elevar a frequência cardíaca em uma cirurgia. “Uma série de produtos reagem com a anestesia e podem provocar reações. Grande parte do público que procura cirurgia plástica faz academia, toma pré-treino e termogênicos para melhorar os resultados. Tudo isso aumenta a frequência cardíaca”, explica a médica Ivanoska Filgueira.

Raquel Santos apresentou falta de ar e arritmia e chegou a ser levada ao hospital, mas teve uma parada cardíaca e não resistiu. 

Risco para pacientes fumantes

A modelo ainda era fumante. Isso não impediria o procedimento estético, mas requer alguns cuidados. "Qualquer paciente que for realizar uma cirurgia, seja ela ambulatorial ou em centro cirúrgico, deve informar seu médico se é fumante. Parar de fumar antes de qualquer procedimento cirúrgico é essencial. Acredita-se que o mínimo de tempo que a paciente deve ficar sem fumar é de 2 semanas antes e 2 semanas após a cirurgia, porém este assunto é controverso", comenta Lemos. 

"Fumantes têm maior propensão a sofrerem infarto do miocárdio, hipertensão arterial, acidente vascular cerebral (derrame), além de problemas respiratórios e de cicatrização". 

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