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Neurocirurgião Paulo Porto de Melo explica como os tumores do Sistema Nervoso Central se comportam, quais as origens e o que fazer quando recebe um diagnóstico como esse

Tumores Cerebrais são frequentes na população e somente superados, em frequência, pelos acidentes vasculares (AVCs), doença de Alzheimer e esclerose múltipla. O tema é extremamente amplo, já que existem diversos tumores que podem acometer o Sistema Nervoso Central (SNC).

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Em primeiro lugar, gostaria de desmistificar e esclarecer ao leitor que o diagnóstico de um tumor cerebral não é uma condenação, é uma constatação. Em medicina, o termo “tumor” pode determinar quase qualquer coisa. Se formos analisar com rigor, até uma espinha é um tumor. Por quê? Porque apresenta um aumento de volume (tumoração) em uma área que não deveria haver.

Sendo assim, fica claro que tumor não é necessariamente câncer. O câncer é um tumor com comportamento maligno. Seja pela sua alta taxa de multiplicação, pela invasão de estruturas próximas, etc.

Comportamento dos tumores do Sistema Nervoso Central

Tumores do Sistema Nervoso Central usualmente não dão metástases. Seu comportamento não pode ser classificado somente conforme sua atividade celular, pois às vezes um tumor (do ponto de vista celular) benigno pode estar localizado em uma área de dificil acesso, rodeado de estruturas nobres, fazendo que qualquer crescimento nesta área tenha um caráter maligno. 

Dessa forma, a localização assume importância fundamental para tumores cerebrais. A idade do paciente, também.

Qual a origem?

Tumores cerebrais podem ter origem do próprio tecido cerebral, das meninges, de restos embrionários. Podem também ter origem do tecido glandular da hipófise, ou do tecido de revestimento dos nervos cranianos.

O que fazer?

Esses tumores podem precisar ser ressecados ou apenas acompanhados. Pacientes com esse quadro podem se beneficiar de quimioterapia e radioterapia ou ser totalmente curados com a remoção cirúrgica.

Tenha calma

Gradativamente irei colocar tópicos específicos para cada “linhagem” de tumores intracranianos, mas essa ideia geral deve prevalecer, para que o leitor possa se tranquilizar ou tranquilizar algum paciente próximo.

A melhor solução é procurar um neurocirurgião de sua confiança, ou referenciado por alguém que lhe inspire confiança, para que uma avaliação criteriosa seja feita e a história natural da lesão e opções de tratamento sejam claramente discutidas.

Paulo Porto de Melo trouxe a técnica da cirurgia neurológica robótica ao Brasil
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Paulo Porto de Melo trouxe a técnica da cirurgia neurológica robótica ao Brasil

*Dr Paulo Porto de Melo é neurocirurgião formado pela UNIFESP, especialista em Neurocirurgia pela Sociedade Brasileira de Neurocirurgia e colaborador do Departamento de Neurocirurgia da Universidade de Saint-Louis (EUA).

Facebook: @DrPauloPortoDeMelo Instagram: @ppmelo

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