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Mesmo sem conseguir identificar pessoas, ela afirma que podia saber quando alguém familiar estava presente; por outro lado, quando passou por uma cirurgia delicada ela relata seu pavor: "sonhei que estava sendo estuprada"

Enquanto estava em coma, Colleen conta que podia sentir quando seu marido, mãe ou pai estavam com ela
Reprodução/Arquivo pessoal
Enquanto estava em coma, Colleen conta que podia sentir quando seu marido, mãe ou pai estavam com ela

“As pessoas têm uma ideia errada sobre o que é um coma medicamente induzido. Eles pensam que significa que você está totalmente inconsciente, incapaz de ver, ouvir ou responder de forma alguma. Mas não é assim que realmente é”, explica a americana Colleen Kelly Alexander, de 42 anos, que passou quase um mês em coma depois de ter sido atropelada por um caminhão.

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“Eu sentia que estava tão quente que parecia que meu corpo estava em chamas”, conta ela. “Tudo o que eu conseguia pensar era o quanto eu queria um copo de água. Comecei a ter pensamentos que eram quase alucinações sobre mergulhar em uma piscina de água”, lembra. Na ocasião, seu corpo inteiro foi destroçado e ela foi encaminhada ao hospital e precisou ser submetida ao coma induzido.

Os relatos foram retirados do livro “Gratitude in Motion”, escrito por Colleen, onde a triatleta conta sobre sua experiência depois do acidente que sofreu em 2011, quando voltava do trabalho para casa de bicicleta.

Ela conta que a sensação de calor era muito intensa e frequentemente que tinha alucinações em que estava dentro de uma piscina
Reprodução/Arquivo pessoal
Ela conta que a sensação de calor era muito intensa e frequentemente que tinha alucinações em que estava dentro de uma piscina

Por ser um estado de inconsciência, provocado por disfunção, lesão corporal, ou até mesmo por uma dose controlada de drogas, no caso do coma induzido , ainda há poucos avanços na medicina que possam ser úteis para responder todas as perguntas sobre esse estágio, chamado por muitos de “quase morte”.

O que se sabe, é que nesse estado, o indivíduo perde a capacidade de interação com o meio, e não há o que fazer para que o coma seja tratado. Apenas as condições clínicas do paciente são tratadas para que o estado seja revertido – o que deixa de ser possível quando há morte cerebral.

Colleen ficou em coma por cinco semanas, e precisou passar por 29 cirurgias para reparar seu osso pélvico completamente esmagado, pernas, artérias internamente rasgadas, reto, vagina e uma lesão cerebral.

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Sentimentos

Ela conta que, durante semanas, sentia como se estivesse presa em um pesadelo. “Às vezes eu estava inconsciente, mas outras vezes eu ‘existia’ em um estado que não é muito simples de descrever”, conta.

Apesar de não conseguir se concentrar em algo ou alguém em específico, ela podia ouvir sons e sentir sensações. Mesmo sem conseguir reconhecer a voz e toque das pessoas, Colleen fala que conseguia identificar quando algum familiar falava ou tocava nela e isso, de alguma maneira, a fazia se sentir confortável.

Os níveis de medo e angústia também aumentavam quando ela reconhecia algo que não era “positivo”. “Cheguei a ter pesadelos sobre ser violentamente estuprada e sodomizada. Eu não tinha ideia do que estava realmente acontecendo no momento que via aquelas imagens de sofrimento, mas depois meu marido me contou que isso pode ter ocorrido quando a equipe médica estava fazendo “tratando minhas feridas”.

A triatleta teve o reto rasgado até o sacro, e sua vagina também foi arrancada. As enfermeiras passaram horas durante muitos dias limpando as feridas e trocando a medicação e as bandagens. “Embora eu estivesse fortemente sedada e tivesse um tubo de respiração na minha garganta, minha pressão sanguínea aumentava durante as alterações da ferida e elas contam que viam meu rosto fazer caretas”.

Atualmente, Colleen voltou a sua carreira de atleta, e passou a ser um exemplo de superação e inspiração para outras pessoas
Reprodução/Arquivo pessoal
Atualmente, Colleen voltou a sua carreira de atleta, e passou a ser um exemplo de superação e inspiração para outras pessoas

Diferente de um coma provocado naturalmente, o coma induzido não consegue garantir que a pessoa não sentirá dor. Os medicamentos tentam anestesiar o corpo para que o organismo seja forte e proteja os órgãos vitais, mas também é preciso dosar a quantidade de medicamentos para que a pressão sanguínea não seja afetada pelos sedativos, o que faz com que o equilíbrio seja delicado.

Hoje, seis anos depois do acidente que mudou sua vida, Colleen consegue se locomover sozinha, voltou a falar, inclusive dá palestras motivacionais e participa de torneios de atletismo.

Desde então, ela já teve que enfrentar diversas infecções, em razão da pele enxertada ser sensível e frágil, mas que não a impediram de participar de mais de 50 corridas.

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