Tamanho do texto

Administração de drogas pode atrapalhar a leitura do ritmo de dilatação, que pede medidas para acelerar o parto, como a cesariana; a partir de agora, na primeira gravidez, o trabalho de parto de até 12 horas é considerado normal

Medida pretende evitar o aumento da prática de cesarianas e partos que usem drogas para acelerarem o trabalho
Pexels
Medida pretende evitar o aumento da prática de cesarianas e partos que usem drogas para acelerarem o trabalho

Quanto menor for o uso de medicamentos durante o parto, melhor será a leitura do ritmo de dilatação do colo do útero, informou a Organização Mundial de Saúde (OMS) nesta quinta-feira (15). A entidade recomendou que a quantidade remédios administrados nesse momento seja a menor possível, pois as drogas poderiam influenciar e atrapalhar a verificação da dilatação.

Leia também: Mãe e recém-nascido devem ficar juntos logo após o parto, recomenda ministério

Durante entrevista coletiva em Genebra, o médico Olufemi Oladapo, do Departamento de Saúde Reprodutiva da OMS, afirmou que desde a década de 1950, quando uma mulher tinha um ritmo de dilatação do colo do útero mais lento do que um centímetro por hora durante o trabalho de parto a situação é considerada “anormal”.

Nesses casos, a recomendação mundial era de que a equipe médica tomasse medidas para acelerar o trabalho de parto com o uso de medicamentos, como a oxitocina, ou então adotasse a c esariana .

Nova diretriz

No entanto, a nova orientação da OMS é para que essa referência de um centímetro de dilatação por hora seja esquecida. “Pesquisas recentes mostraram que esta linha não se aplica a todas as mulheres e que cada nascimento é único”, defendeu Oladapo. Ele também acrescentou que “a recomendação que fazemos agora é que essa referência não deve ser usada para identificar mulheres em risco”.

Leia também: “O nome ‘parto humanizado’ nem deveria existir, já que todos deveriam ser assim”

Um dos motivos para que a organização venha a público informar a nova orientação é o aumento geral da prática da cesariana em todo o mundo, mesmo sabendo que a taxa desse tipo de procedimento varie de acordo com a região do mundo.

Além disso, a OMS se preocupa com o fato de que os partos considerados “complicados” estejam sendo banalizados, fazendo com que as práticas para lidar com esse tipo de situação sejam encaradas como “comuns”.

“A gravidez não é uma doença, e o nascimento é um fenômeno normal que você pode esperar que a mulher complete sem intervenção”, defendeu o médico. "Mas o que temos visto nas últimas duas décadas são mais e mais intervenções médicas feitas em vão", acrescentou Oladapo.

Segundo a nova diretriz elaborada pela OMS, toda mulher que vai dar à luz pela primeira vez tem até 12 horas de trabalho de parto para ser considerado “normal”. Para as gestações seguintes, esse prazo deve ser de 10 horas.

Leia também: Hospital lança programa para conscientizar médicos e gestantes do parto adequado

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.