Tamanho do texto

Entenda o que é a lesão do manguito rotador, desordem que quando não tratada rapidamente pode comprometer os movimentos do ombro

Dor no ombro é a terceira queixa mais reportada pelos pacientes nos consultórios de ortopedistas e fisioterapêutas
Thinkstock Photos
Dor no ombro é a terceira queixa mais reportada pelos pacientes nos consultórios de ortopedistas e fisioterapêutas

Toda vez que manicure Laura Santana dos Anjos, de 43 anos, chega em casa depois de um dia de trabalho a situação se repete. “Sinto tanta dor que não consigo fazer coisas simples, como levantar o braço para pegar algo no armário ou cozinhar”, conta ela, que se  queixa de dores nos ombros há pelo menos quatro anos. Porém, nos últimos meses a paulista decidiu buscar ajuda médica. Com o incômodo cada vez mais frequente, ela chegou a ficar afastada do trabalho por algumas semanas.

O caso de Laura não é isolado: queixas de dores e dificuldades para movimentar o ombro são constantes nos consultórios de ortopedistas e fisioterapeutas, sendo a terceira doença musculoesquelética mais frequente, perdendo apenas para dores e patologias da coluna.

Recentemente, ela foi diagnosticada com lesão do manguito rotado r e foi alertada de que é possível que ela não consiga mais voltar a trabalhar na profissão que atua há mais de 20 anos. “Nunca pensei que poderia ficar lesionada. Achava que não precisava ir ao médico e tomava remédios para dor muscular quase todos os dias”, diz Laura.

A fisioterapeuta Walkiria Brunetti afirma que a falta de uma interferência médica logo no início da lesão é responsável pela piora de 40% dos casos. “No começo a pessoa pode pensar que é um mau jeito, algo passageiro e, com isso, não procura o médico. Esse atraso na busca de ajuda pode aumentar o tamanho da lesão, o que piora a dor e pode levar à perda da força”, analisa ela.

De acordo com a Associação Americana de Fisioterapia, cerca de 40% dos pacientes que reclamam de dor nos ombros apresentam alguma desordem envolvendo o manguito rotador. A estrutura ajuda nos movimentos de elevação e rotação dos braços, estabilizando a cabeça do úmero - osso superior dos braços - dentro do ombro.

Causas

Por se tratar da articulação com maior mobilidade do corpo humano, a região é mais vulnerável a lesões que podem limitar comprometer os movimentos. “A lesão do manguito rotador pode ser causada por um trauma ou pelo desgaste natural relacionado ao processo de envelhecimento, assim como por esforços e movimentos repetitivos”, esclarece a fisioterapeuta.

O uso exaustivo de computadores e celulares, prática de alguns esportes, como vôlei e natação, e outras tarefas que exigem o movimento repetitivo dos braços sem apoio pode causar o problema.

Leia também: Como ter os ombros definidos da Madonna em quatro combinações de exercícios

Outro fator de risco está relacionado à anatomia do ombro. Existe uma ponta óssea no ombro, o acrômio. Ele pode ser reto (tipo I), curvo (tipo II) e enganchado (tipo III). Quanto mais curvo o acrômio, maior será o risco de desenvolver lesões.

Pacientes com lesão do manguito rotador costumam ter dor noturna, principalmente quando dormem em cima do ombro ou levantam o braço. A dor parece se irradiar para todo o braço, e pode surgir também quando levantam o membro para buscar algum objeto, estão dirigindo ou precisam pegar algum objeto no chão quando estão sentadas. A força do braço também é prejudicada.

Tratamento

Ao perceber algum dos sintomas, o ideal é procurar um ortopedista, responsável por solicitar exames de imagem para poder avaliar a extensão e a gravidade da lesão. Em alguns casos, não há ruptura, portanto, a dor está mais relacionada a uma inflamação dos tendões, ou seja, é considerada uma tendinite. O tratamento inicial é conservador, com uso de medicamentos anti-inflamatórios e fisioterapia. Depois de três meses, se não houver melhora, pode ser indicada a cirurgia.

 “Inicialmente, a fisioterapia irá atuar no controle da dor e na melhora da amplitude dos movimentos. Depois, trabalhamos para fortalecer a musculatura do manguito rotador e, depois, a musculatura abdutora dos ombros”, explica Walkiria.

 Além da fisioterapia e dos medicamentos, é importante reeducar o paciente sobre hábitos que podem levar a uma recorrência do problema. É preciso evitar ficar muito tempo com os braços para cima, dormir em cima do ombro, abusar do celular, do computador e de esportes que forcem os ombros.

Leia também: SUS vai oferecer próteses 3D para adultos e crianças amputados

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.