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Atualmente a doença é dividida em tipo 1 e tipo 2, porém, um novo estudo aponta que características específicas podem ser observadas em mais grupos

Diabetes tipo 2 é a forma mais comum entre os pacientes, e acomete cerca de 90% da população mundial
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Diabetes tipo 2 é a forma mais comum entre os pacientes, e acomete cerca de 90% da população mundial

Cientistas da Suécia e Finlândia estão querendo dividir o diabetes na fase adulta em cinco tipos diferentes para melhorar o diagnóstico para cada paciente. A ideia foi apresentada nesta quinta-feira (1º) em um artigo publicado na revista científica The Lancet Diabetes & Endocrionology .

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De acordo com os autores do estudo, pessoas atualmente diagnosticadas com diabetes adquirida na fase adulta poderão ser tratadas de maneira específica e direcionada, já que a doença identificada nesse momento da vida apresenta diferentes características com complicações distintas e que necessitam de uma variedade de cuidados para cada paciente.

Hoje, a doença é separada em tipo 1 e tipo 2 . O primeiro, geralmente identificado na infância, se refere ao organismo que não é capaz de produzir insulina suficiente. Já o segundo, que acomete a maioria dos diabéticos, cerca de 90%, se desenvolve quando o corpo não consegue mais fabricar insulina o bastante para atender à crescente demanda em razão de obesidade ou resistência insulínica , por exemplo. Porém, há uma grande variabilidade em relação a esse tipo, pouco explorada até então.

“As evidências sugerem que o tratamento precoce do diabetes é crucial para prevenir complicações que podem encurtar a vida. Um diagnóstico mais acurado do diabetes pode então nos dar valiosas pistas de como ele vai evoluir com o tempo, permitindo-nos prever e tratar as complicações antes que elas se desenvolvam”, explica Leif Groop, pesquisador do Centro para Diabetes da Universidade Lund, na Suécia, do Instituto para Medicina Molecular da Finlândia e primeiro autor do estudo no “The Lancet Diabetes & Endocrinology”.

Segundo ele, os protocolos de tratamento existentes são limitados pelo fato de responderam ao mau controle metabólico de quando o diabetes se desenvolveu. “Mas eles [protocolos atuais] não nos dão maneiras de prever que pacientes precisarão de um tratamento mais intensivo. Este estudo nos leva a um diagnóstico mais útil do ponto de vista clínico, e representa um importante passo na medicina de precisão do diabetes”, finaliza.

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Pesquisa

Para realizar o estudo, foram consideradas outras quatro pesquisas que, ao todo, envolveram quase 15 mil pacientes maiores de idade e recém-diagnosticados com diabetes na Suécia e Finlândia.

Foram analisados seis parâmetros para monitorar os participantes da análise: idade do diagnóstico, índice de massa corporal, controle glicêmico de longo prazo, funcionamento das células produtoras de insulina no sangue, resistência à insulina e presença de anticorpos associados ao diabetes autoimune. Além disso, também foram levadas em contas estudos genéticos de cada paciente e comparação da progressão da doença, tratamento e o desenvolvimento de complicações ligada à doença em cada tipo de diabetes.

Dessa forma, os pesquisadores encontraram um tipo de diabetes autoimune e quatro subtipos distintos de diabetes tipo 2. Todas as variáveis se mostraram bastante distintas, inclusive geneticamente, sendo três formas severas e duas mais leves da condição.

Cinco tipos de diabetes

Entre as formas severas, está um grupo que apresentou significativa resistência à insulina e maior risco de desenvolver problemas nos rins dos que os outros. Eles representaram de 11% a 17% dos pacientes.

Outro grupo foi identificado como relativamente jovem, com deficiência na produção de insulina e mau controle metabólico, mas sem anticorpos autoimunes. A prevalência foi de 9% a 20%.

A terceira forma severa foi apontada em 6% e 15% dos pacientes. Todos tinham deficiência de insulina e anticorpos autoimunes, uma forma de diabetes conhecida como do tipo 1 anteriormente e chamada de diabetes autoimune latente em adultos (Lada, na sigla em inglês).

Já entre as formas mais simples, a primeira mostrou ser uma das mais moderadas, mais frequente em pessoas mais velhas, com prevalência entre 39% e 47%.

O segundo tipo mais leve estava presente em pessoas obesas, e afetou de 18% a 23% dos pacientes.

Apesar de ser considerado o primeiro passo rumo à medicina de precisão contra a diabetes, os cientistas reconhecem algumas limitações no estudo, como o fato de não terem conseguido confirmar que cada um dos cinco tipos tem uma causa distinta, nem se o tipo pode evoluir para outro com o passar do tempo, o que implica na necessidade de mais pesquisas.

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