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Para pesquisadores e endocrinologistas americanos, a cirurgia deve ser considerada uma opção para evitar obesidade na fase adulta; entenda

Crianças com obesidade são cinco vezes mais propensas do que outras a se tornarem obesas quando adultas
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Crianças com obesidade são cinco vezes mais propensas do que outras a se tornarem obesas quando adultas

Nos Estados Unidos, a obesidade infantil se tornou um problema tão sério, que cerca de uma em cada cinco crianças em idade escolar é obesa, conforme informaram os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) norte-americanos.

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Em um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Harvard, médicos defenderam que mais crianças e devem buscar a cirurgia bariátrica, que reduz o estômago para diminuir o peso do indivíduos obesos, como alternativa à obesidade .

A análise procurou quantificar quantas crianças obesas, adolescentes e jovens adultos passaram por esse tipo de cirurgia e descobriram que os números são muito baixos, chegando a menos de 1%.

Uma pesquisa publicada no início deste ano apontou que 1,9% das crianças entre dois e 19 anos são gravemente obesas, enquadrando-se na categoria de obesidade "Classe III", conforme foi estabelecido pelo estudo.

Já a nova pesquisa de Harvard, apresentada na reunião anual da Sociedade Endócrina desta segunda-feira (19), estimou que 0,7% cento ou mais de 18 mil dos 2,5 milhões de pacientes jovens cujos dados médicos foram analisados ​​eram severamente obesos .

Sendo assim, dos 20,6% dos jovens entre 12 e 19 anos que são obesos, muitos tendem a se juntar aos 38% dos adultos que sofrem com a condição mais tarde na vida.

Os autores do estudo disseram que operações como o bypass gástrico (ou bypass em Y de Roux, como também são chamadas) são "subutilizadas" e eles querem encorajar pais a submeterem suas crianças às cirurgias para afastá-las de um futuro com obesidade severa.

Segundo a autora do estudo, Dra. Fatima Stanford, do Hospital Geral de Massachusetts, não se pode deixar que essa doença seja tratada como “natural”, como tem acontecido nos últimos anos. “A obesidade [de antes e de agora] é a mesma. A diferença é que vemos isso como uma escolha de estilo de vida em vez de uma enfermidade”, afirma.

"A obesidade é a mesma, mas vemos isso como uma escolha de estilo de vida em vez de uma condição de doença", ressalta ela.

Indicações

A cirurgia bariátrica é um procedimento bastante invasivo. Na maior parte dos casos, a técnica consiste em retirar uma parte do estômago ou do intestino do indivíduo, com o objetivo de diminuir a quantidade de calorias absorvidas e favorecer a perda de peso.

Nos EUA, as diretrizes nacionais para tornar alguém elegível para a cirurgia exigem que outros métodos tenham falhado antes de recorrer à técnica e que a pessoa tenha um IMC (Índice de Massa Corporal) acima de 40 ou maior do que 35 somado a alguma complicação relacionada ao peso , como diabetes ou apnéia do sono.

O IMC trata-se de uma medida do peso de cada pessoa, sendo uma relação entre a massa da pessoa e a sua altura. Para saber como calcular o seu, clique aqui .

Se uma pessoa atende a esses critérios, os procedimentos de perda de peso mais comuns são as cirurgias de bypass gástrico, gástrica ou manga gástrica.

Para Stanford, a cirurgia é, de longe, o melhor tratamento para aqueles que têm obesidade moderada a grave para provocar maior perda de peso. "O problema é que os médicos clínicos, bem como a população leiga, não são educados a utilidade desses procedimentos", pondera ela.

Como resultado desse comportamento, as taxas de cirurgias de perda de peso permaneceram estáveis ​​ao longo dos anos, mesmo que a obesidade tenha aumentado não apenas nos EUA, mas em todo o mundo.

Outro fator que também colabora para que a busca pela cirurgia bariátrica não aumente são os riscos relacionados aos procedimentos gastrointestinais, como embolia pulmonar, sangramento interno, fístulas, vômitos, diarreia e fezes com sangue, que provocam medo em torno das cirurgias.

Mas a responsável pelo estudo alerta que o maior problema no caso das cirurgias é o próprio paciente. Ela diz que esse tipo de pensamento é tendencioso e com base em uma impressão incompleta de pessoas que passaram por esses procedimentos.

"Eu não recomendaria isso para alguém que não faz as mudanças de estilo de vida necessárias. Como médica, eu preciso fornecer uma ferramenta para um paciente que luta mesmo depois de fazer essas mudanças", argumenta Stanford.

A pesquisadora vai além: "Se tivermos um excesso de 12 centímetros de neve, seria apropriado empurrá-lo com uma colher de chá? Não. Por isso, nós queremos usar a ferramenta apropriada para o tamanho do problema e, para aqueles com obesidade severa, é mais provável que a longevidade seja alcançada com a intervenção precoce".

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Problema de saúde pública

A obesidade tornou-se a maior batalha médica dos EUA nos últimos anos, uma vez que uma epidemia afeta um terço dos cidadãos da nação - e em todas as faixas de idade.

As crianças com excesso de peso ou obesidade são cinco vezes mais propensas do que outras crianças a se tornarem obesas ou com excesso de peso quando se tornarem adultas, elevando significativamente seus riscos de diabetes tipo 2 e insuficiência cardíaca, e quase todas as outras doenças comuns, como pressão alta, infecções na pele, apnéia do sono e outros problemas respiratórios.

Para combater os problemas de peso na infância, os EUA aumentaram algumas iniciativas de saúde pública nos últimos anos, como a distribuição de almoços mais saudáveis nas escolas - embora os resultados não tenham sido tão expressivos, já que o plano era do ex-presidente Barack Obama.

Essas crianças não só provavelmente enfrentarão problemas de saúde relacionados quando adultos, mas enquanto ainda estão crescendo podem sofrer de alta pressão arterial, infecções da pele, apnéia do sono e outros problemas respiratórios.

Atualmente, o CDC recomenda que famílias, médicos e escolas ajudem as crianças a evitar ou enfrentar a obesidade incentivando e participando de dietas saudáveis, bons hábitos de sono e exercícios regulares.

Mas para aqueles com obesidade grave - marcado por um Índice de Massa Corporal de 40 ou mais - essas mudanças de estilo de vida podem não ser suficientes, dizem os endocrinologistas de Harvard.

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